Questão 59 caderno azul ENEM 2025 Dia 1


Pela falta de chuvas, a geração de energia eólica, solar e térmica atingiu níveis recordes em agosto de 2021, quando as hidrelétricas ficaram com cerca de 50% do total. Para um professor da Universidade Federal da Bahia, essa queda não é uma surpresa. “Não aconteceu de uma hora para outra. Se olharmos o mapa do Brasil, um dos grandes provedores de água é a Floresta Amazônica. Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”, explica.

BORGES, T. O fantasma do apagão. Disponível em: www.correio24horas.com.br. Acesso em: 9 out. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, a dificuldade na produção de energia é causada pela alteração da(s)

A) variável em pesquisas meteorológicas.

B) paisagem em locais estratégicos.

C) demandas em regiões industriais.

D) metas em acordos climáticos.

E) geologia em áreas naturais.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Geografia (Climatologia, Hidrografia, Questões Ambientais)
  • Interpretação de Texto
  • Biologia/Ecologia (Serviços Ecossistêmicos, Ciclo da Água)
  • Conhecimentos Gerais (Matriz Energética Brasileira)

Tema/Objetivo Geral:
A questão busca avaliar a capacidade do candidato de interpretar uma relação de causa e efeito complexa, conectando uma ação ambiental local (desmatamento) a uma consequência em larga escala (crise na produção de energia hidrelétrica).

Nível da Questão: Fácil

  • A questão é considerada fácil porque o próprio texto, através da fala do professor, entrega a resposta de forma explícita. Ele estabelece a conexão direta: “Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água”. O único trabalho do candidato é traduzir o conceito de “diminuir a floresta” para a alternativa correspondente, “alteração da paisagem”, o que exige uma inferência mínima.

Gabarito: B

  • Esta alternativa está correta pois o texto aponta que a causa da falta de chuvas (e da consequente crise energética) é a diminuição da Floresta Amazônica, que é precisamente uma alteração da paisagem em um local estratégico para a geração de umidade.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A missão é ler a explicação sobre a crise de energia e identificar a causa raiz do problema. O texto nos dá o sintoma (hidrelétricas em baixa) e nos guia até a origem da “doença”.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que seu bairro inteiro depende de uma grande caixa d’água no topo de uma colina para ter água. Um dia, a água para de chegar. A questão não é sobre a torneira estar seca, mas sim sobre o que aconteceu com a caixa d’água. O texto explica que a “caixa d’água” do Brasil para chuvas é a Floresta Amazônica, e o problema é que ela está sendo danificada. O verdadeiro desafio aqui é nomear corretamente o ato de “danificar a caixa d’água”.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:

  • Identificar o problema principal descrito no texto.
  • Seguir a linha de raciocínio do professor para encontrar a causa raiz.
  • Traduzir essa causa raiz para os termos apresentados nas alternativas.
  • Eliminar as opções que não se encaixam na causa identificada.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para visualizar a cadeia de eventos, a ferramenta ideal é um Fluxograma de Raciocínio. Ele nos mostra como um evento leva a outro, como uma fileira de dominós caindo.

O Efeito Dominó: Da Floresta à Tomada

  • DOMINÓ 1 (A Causa Raiz):
    • Desmatamento e queimadas na Amazônia.
    • O texto chama de: “diminui a floresta”.
    • A alternativa correta chama de: “alteração da paisagem”.
  • DOMINÓ 2 (O Impacto Atmosférico):
    • Menos árvores bombeando água para o ar (processo de evapotranspiração).
    • O texto chama de: “diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”.
  • DOMINÓ 3 (A Consequência Climática):
    • Enfraquecimento dos “rios voadores” (massas de ar úmido que saem da Amazônia).
    • O texto chama de: “falta de chuvas” em outras regiões.
  • DOMINÓ 4 (O Efeito na Geração de Energia):
    • Menos chuvas para encher os reservatórios das usinas hidrelétricas.
    • O texto descreve como: “as hidrelétricas ficaram com cerca de 50% do total” e há uma “dificuldade na produção de energia”.

Este fluxo mostra que a origem de todo o problema está na mudança física da floresta.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos executar nosso plano de ataque.

  1. O Problema Principal: O texto começa descrevendo a “dificuldade na produção de energia” devido à “falta de chuvas”, que fez a participação das hidrelétricas cair.
  2. A Causa Raiz: O professor é categórico ao explicar a origem da seca: “Se olharmos o mapa do Brasil, um dos grandes provedores de água é a Floresta Amazônica. Se você diminui a floresta, diminui a quantidade de água que vai para a atmosfera”. A causa raiz é, portanto, a destruição da floresta.
  3. Traduzindo a Causa: “Diminuir a floresta” é uma forma direta de dizer que a paisagem daquele local está sendo alterada. A floresta é a paisagem. E por que o local é “estratégico”? Porque, como o texto diz, é um “grande provedor de água” para o resto do país.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais comum é focar apenas no efeito imediato (“falta de chuvas”) e associá-lo a alternativas vagas como “variável em pesquisas meteorológicas” (alternativa A). A questão pede a causa do problema, e o texto é claro ao apontar que a seca não é um evento aleatório, mas uma consequência de uma ação específica: a degradação da Amazônia.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A crise energética é um sintoma da crise hídrica, que por sua vez é causada pela destruição de um ecossistema fundamental para o regime de chuvas.
    • Expectativa: A alternativa correta deve descrever a causa raiz, ou seja, a mudança física que ocorre na Floresta Amazônica.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Agora, vamos confrontar cada suspeito com o perfil que traçamos.

  • A) variável em pesquisas meteorológicas.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato associa “falta de chuvas” com “meteorologia”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Causa com Ferramenta de Medição. As pesquisas meteorológicas observam e medem a falta de chuva; elas não a causam.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) paisagem em locais estratégicos.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o encaixe perfeito. A “alteração da paisagem” é exatamente o que significa “diminuir a floresta”. O “local estratégico” é a Amazônia, o “grande provedor de água”.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.  
  • C) demandas em regiões industriais.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em crise de energia e associa ao consumo, não à produção.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Oferta com Demanda. O texto discute um problema na geração (oferta) de energia, não um aumento no consumo (demanda).
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) metas em acordos climáticos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato conecta a discussão ambiental a políticas e acordos internacionais.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema (Político vs. Físico). Acordos climáticos são ferramentas políticas para tentar evitar o problema. A causa descrita no texto é um processo físico e ecológico que já está acontecendo.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) geologia em áreas naturais.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato vê “áreas naturais” e associa a um termo técnico como “geologia”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Imprecisão Conceitual. Geologia refere-se à estrutura de rochas e solos. O desmatamento é uma alteração na cobertura vegetal (a biosfera), que compõe a paisagem, e não na geologia do local.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (B) é a correta, pois a crise na produção de energia é uma consequência direta da alteração da paisagem (desmatamento) em um local estratégico (a Floresta Amazônica), que funciona como o coração do sistema de chuvas do continente.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Lembre-se disto: “Floresta no chão, luz no apagão.”
  • 🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio se aplica à economia de uma empresa. Imagine que o departamento de Inovação e Pesquisa é a “Floresta Amazônica” da companhia: ele não gera lucro direto e visível todo dia, mas é o “provedor” de novas ideias e produtos que “irrigam” o futuro da empresa. Se a diretoria, focando apenas em cortar custos imediatos, “desmata” esse departamento, a empresa pode até economizar a curto prazo. No entanto, em alguns anos, ela sofrerá uma “seca” de inovação, perdendo relevância e enfrentando uma “crise de faturamento”, pois a fonte estratégica que garantia seu futuro foi alterada.

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