QUESTÃO 04 (ESPANHOL) caderno azul ENEM 2025 Dia 1

Disciplina:

MORGAN, J. Disponível em: www3.gobiernodecanarias.org. Acesso em: 5 maio 2024.

Na charge, a diversidade linguística está representada pelo uso de

A) estruturas verbais com valor de futuro próximo.

B) expressões idiomáticas características de uma região.

C) advérbios característicos do repertório vocabular dos jovens.

D) marcas da oralidade expressas na representação escrita da fala.

E) enunciados interrogativos em situação comunicativa com um interlocutor.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto Misto (Charge)
    • Sociolinguística
    • Variação Linguística (Diferença entre a língua falada e a língua escrita)
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar a representação gráfica de fenômenos da fala coloquial.
  • Nível da Questão: Médio/Difícil.
    • Detalhe: A questão exige que o leitor reconheça que as palavras “erradas” na charge são, na verdade, uma representação proposital e precisa de como soam na fala real de um determinado grupo ou região. É preciso um olhar sociolinguístico para além da gramática normativa.
  • Gabarito: Letra D (marcas da oralidade expressas na representação escrita da fala).
    • Explicação Resumida: Esta alternativa está correta porque o humor e a representação da “diversidade” vêm da forma como o cartunista transcreve os sons da fala coloquial para o papel, comendo letras e juntando palavras, em contraste com a norma culta.

 PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: A questão nos pede para identificar qual recurso específico o cartunista usou para mostrar que o personagem fala de um jeito diferente do espanhol padrão, ou seja, para representar a “diversidade linguística”.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você está lendo uma troca de mensagens. Uma pessoa escreve “Vossa Excelência poderia, por obséquio, comparecer?”. A outra responde “Vô cê vem ou não?”. Ambas as frases transmitem uma ideia, mas a segunda usa uma forma escrita que imita o som e o ritmo da fala do dia a dia. O verdadeiro desafio aqui é identificar que a charge está fazendo exatamente isso: “escrevendo o som” da fala coloquial.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
    1. Estabelecer a Norma: Analisaremos a fala do interlocutor (fora da cena) para ver o espanhol padrão.
    2. Analisar a Variação: Faremos uma “autópsia” nas falas do personagem, listando as palavras que fogem da norma.
    3. Comparar e Contrastar: Colocaremos a “fala” e a “escrita padrão” lado a lado para entender o que foi alterado.
    4. Construir o Perfil do Culpado: Com base nessas alterações, definiremos qual fenômeno linguístico está em jogo.

 PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A melhor ferramenta para este caso é uma Tabela de Análise Forense da Fala, onde podemos comparar o que foi “dito” (a grafia da charge) com o que “deveria ser escrito” (a norma padrão).

🕵️ Evidência (Grafia na Charge)📖 Norma Padrão (Tradução)Diagnóstico da “Marca da Oralidade”
VAMO’VamosSupressão/queda da letra ‘s’ no final da palavra.
SORTA’SoltarSupressão/queda da letra ‘r’ no final do verbo no infinitivo.
Yogüisé…Yo qué sé…Junção de palavras (aglutinação) e representação fonética de uma expressão (Eu que sei lá…).
ACOGEHLAa cogerlaJunção de palavras (a + coger + la) e alteração fonética (queda do ‘r’ final antes de juntar o pronome).

Esta tabela prova que as alterações não são aleatórias, mas sim um padrão consistente de representar sons e ritmos da fala real.


 PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos executar nosso plano e analisar a cena do crime

  • Execução Sequencial:
    1. A Voz da Norma: O interlocutor invisível usa um espanhol impecável: “¿Qué van a hacer en el cole para el día de la paz?”. É o nosso controle de qualidade.
    2. A Voz da Rua: O personagem responde de forma completamente diferente. Como vimos na nossa tabela, ele “come” letras e junta palavras. Ele fala de um jeito que é comum de se ouvir, mas não de se ler.
    3. O Contraste é a Chave: A “diversidade linguística” mencionada no enunciado está exatamente neste contraste. A charge coloca em cena duas variedades da mesma língua: a formal/escrita e a informal/oral.
  • 🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
    CUIDADO! O erro comum aqui é focar no assunto da conversa (o Dia da Paz, uma pomba) e não na forma como ela acontece. Outra armadilha é notar que há perguntas (Alternativa E) ou que se fala do futuro (Alternativa A). Sim, isso acontece, mas são características de qualquer diálogo. A pergunta é sobre o que representa a DIVERSIDADE, e a diversidade está no jeito coloquial de falar do personagem.
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O cartunista representa a diversidade linguística ao transcrever foneticamente as características da fala coloquial (como a supressão de consoantes finais e a junção de palavras), contrastando-as com a norma padrão da língua escrita.
    • Expectativa: A alternativa correta deve mencionar, de alguma forma, a representação escrita de características da língua falada (oralidade).

 PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos usar nossa Bússola para analisar os suspeitos.

  • A) estruturas verbais com valor de futuro próximo.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor identifica “van a hacer” e “vamo’ a sorta’” e foca na gramática do tempo verbal.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Excessiva. Essa estrutura verbal existe tanto na fala padrão quanto na coloquial da charge, portanto, não é o que marca a diferença entre elas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) expressões idiomáticas características de uma região.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor percebe que a fala é regional e a classifica como “idiomática”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro Conceitual. “Vamo’ a sorta’” não é uma expressão idiomática (como “chover no molhado”). É uma variação fonética de uma frase comum.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) advérbios característicos do repertório vocabular dos jovens.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor acha que o jeito de falar é uma gíria de jovens.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. As palavras alteradas (“vamo”, “sorta”) são verbos, não advérbios. A questão é sobre fonética, não sobre um vocabulário específico.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) marcas da oralidade expressas na representação escrita da fala.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um retrato falado perfeito da nossa conclusão. “Marcas da oralidade” (comer letras, juntar palavras) “expressas na representação escrita” (a forma como o cartunista escreveu nos balões). Bingo.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • E) enunciados interrogativos em situação comunicativa com um interlocutor.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor foca no fato de que há perguntas na charge.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Descrever o Meio, não o Fim. As perguntas estruturam o diálogo, mas o que mostra a diversidade linguística é a forma da resposta, não o fato de ser uma resposta a uma pergunta.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

 PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Portanto, a alternativa D é a correta, pois a genialidade da charge reside em usar a escrita para capturar e representar os sons, ritmos e simplificações que caracterizam a língua falada, ou seja, as marcas da oralidade.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): A charge não escreve palavras, ela desenha sotaques.
  • Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Essa mesma técnica é fundamental na área da Inteligência Artificial e Processamento de Linguagem Natural (PLN). Para que assistentes virtuais como a Siri ou a Alexa nos entendam, elas não podem ser programadas apenas com a gramática dos dicionários. Elas precisam de modelos treinados com milhões de horas de fala real, com todas as suas variações, sotaques e “erros” gramaticais (as “marcas da oralidade”). A charge, de forma artística, faz o mesmo que um engenheiro de PLN faz computacionalmente: decodifica a fala humana real.
Disciplina:

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