Fútbol, pelota, gol, copa, recopa,
partido, promoción, campeonato,
equipo, portería, córner, falta,
quiniela, liga, entrenador y árbitro…
Bastan sólo estos términos precisos,
junto con otros pocos de igual rango,
para hablar de política, de ciencia,
de civismo y de paz con los hispánicos.
Otras palabras hay, pero no constan
más que en algún rincón del diccionario.
BADOSA, E. Dad este escrito a las llamas (1971-1973). Barcelona: Barral Editores, 1976.
O texto aproxima elementos culturais distintos na construção poética. Nesse contexto,
A) explicita-se a necessidade de se admirar um pouco mais o futebol.
B) critica-se o hábito dos espanhóis de nivelar temas como futebol e política.
C) registra-se a quantidade insuficiente de palavras para se referir ao futebol.
D) explora-se o grande interesse dos hispânicos pelo futebol na atualidade.
E) mostra-se o fato de haver palavras sobre o futebol não incluídas no dicionário.
✍ Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Língua Espanhola (Interpretação de Texto e Figuras de Linguagem)
- Literatura (Identificação de Ironia e Crítica Social)
- Tema/Objetivo Geral: Analisar um poema que utiliza o campo semântico do futebol para tecer uma crítica social sobre a pobreza do discurso em outras áreas (política, ciência) na cultura hispânica.
- Nível da Questão: Médio.
- O texto é fácil de ler, mas a interpretação exige perceber a ironia. O aluno pode cair na armadilha de achar que o autor está exaltando o futebol, quando na verdade está criticando o fato de o futebol “dominar” todas as conversas sérias.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta. O autor afirma ironicamente que “bastam” termos de futebol para falar de política e ciência, denunciando o hábito cultural de reduzir assuntos complexos à lógica simplista do esporte.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O poeta listou um monte de palavras de futebol e disse que elas são suficientes para discutir política e ciência. Ele está falando sério (elogiando o futebol) ou sendo sarcástico (criticando a sociedade)? Qual é a crítica por trás dessa mistura?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que alguém diga: “Para entender a economia do Brasil, basta saber o que é Like, Compartilhar e Seguir“. Essa pessoa não está elogiando as redes sociais; ela está criticando a superficialidade da economia, dizendo que ela virou um concurso de popularidade. O poeta faz o mesmo: diz que a política virou uma “partida de futebol”.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Analisar a Lista: Ver que o início é apenas vocabulário esportivo.
- Detectar a Ironia: Focar no verbo “Bastan” (Bastam/São suficientes). Será que bastam mesmo?
- Interpretar o Final: Entender o que significa as “outras palavras” estarem esquecidas no dicionário.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para entender a crítica social, vamos usar um Fluxograma de Causalidade.
FLUXOGRAMA: A LÓGICA DO POETA
- O Fenômeno:
- Lista de palavras: Gol, copa, falta, árbitro…Contexto: Vocabulário dominante.
⬇️
- A Redução (Nivelamento):
- Onde usamos isso? “Para hablar de política, de ciencia, de civismo”.Ação: Usar termos de jogo para falar de coisas sérias.
⬇️
- O Empobrecimento:
- “Otras palabras hay, pero no constan / más que en algún rincón del diccionario” (Existem outras palavras, mas só ficam no canto do dicionário).
- Conclusão: O vocabulário rico morreu; só sobrou o do futebol.
Diagnóstico: O autor está criticando a limitação intelectual da sociedade.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos ler as entrelinhas.
- A Enumeração Caótica: O poema começa bombardeando o leitor com termos técnicos (recopa, quiniela, córner). Isso cria uma atmosfera de saturação. É só futebol, futebol, futebol.
- O Golpe da Ironia:
“Bastan sólo estos términos precisos… para hablar de política, de ciencia…”
(Bastam apenas estes termos… para falar de política, de ciência…).- Pense bem: Termos de futebol realmente servem para falar de ciência? Não. Se as pessoas usam, é porque estão simplificando demais a ciência ou transformando a política em torcida organizada.
- O Final Melancólico:
O autor diz que as outras palavras (as necessárias para pensar de verdade) estão abandonadas no dicionário. Isso confirma que o texto é uma crítica cultural, não uma celebração do esporte.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha é a leitura literal. O aluno lê a lista de palavras e pensa: “Nossa, ele sabe tudo de futebol! Ele deve amar o esporte!”. Isso levaria à alternativa D (interesse dos hispânicos). O poema não é sobre o futebol em si, é sobre a Linguagem. O futebol é o “vilão” que roubou o lugar das palavras complexas. O autor está reclamando que tudo virou “gol” ou “falta”, inclusive assuntos que exigem seriedade.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O texto aproxima o vocabulário do futebol ao da política e ciência para mostrar, ironicamente, que os hispânicos tratam tudo como se fosse um jogo, empobrecendo a linguagem e o debate.
- Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “crítica”, “nivelamento”, “mistura indevida” ou “redução”.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) explicita-se a necessidade de se admirar um pouco mais o futebol.
- O “Diagnóstico do Erro”: Inversão de Intenção. O autor acha que já se admira o futebol demais, a ponto de ele invadir a política e a ciência. Ele não pede mais, ele sugere que há um excesso.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) critica-se o hábito dos espanhóis de nivelar temas como futebol e política.
- Análise de Correspondência: Perfeita. “Nivelar” significa colocar no mesmo patamar. O autor critica o fato de usarmos a mesma régua (e as mesmas palavras: árbitro, falta, gol) para discutir um jogo e para discutir o futuro do país (política) ou o conhecimento (ciência).
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
C) registra-se a quantidade insuficiente de palavras para se referir ao futebol.
- O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Literal Equivocada. O texto começa justamente listando muitas palavras de futebol (pelota, gol, copa, recopa, partido…) para mostrar como esse vocabulário é vasto e dominante, não insuficiente.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
D) explora-se o grande interesse dos hispânicos pelo futebol na atualidade.
- O “Diagnóstico do Erro”: Fato vs. Crítica. Sim, o texto mostra o interesse, mas o objetivo do texto não é apenas “mostrar que gostam”, e sim criticar as consequências desse gosto excessivo na linguagem e no pensamento crítico. É uma alternativa incompleta.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) mostra-se o fato de haver palavras sobre o futebol não incluídas no dicionário.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Leitura. O texto diz que “Otras palabras hay” (existem outras palavras – as de ciência, política, etc.) que estão esquecidas no dicionário, não as de futebol. As de futebol estão na boca do povo.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. O poema é um alerta sobre a “futebolização” da vida: quando enxergamos tudo como um jogo de torcidas, perdemos a capacidade de debater a complexidade do mundo.
Resumo-flash (A Imagem Mental): Usar chuteiras para entrar no laboratório de ciência ou no parlamento é um erro: cada campo exige seu próprio equipamento (vocabulário).
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Esse fenômeno é estudado na Sociologia como Espetacularização da Política. Quando tratamos eleições como campeonatos, políticos como ídolos/craques e debates como disputas de pênaltis, usamos a lógica da emoção esportiva em vez da razão cívica. O poema de Badosa antecipa essa crítica moderna onde “ganhar o jogo” importa mais do que “resolver o problema”.
