No cartum, o confronto entre primatas produz um efeito de humor que se vincula à função social de
A) criticar a postura humana de fazer piada com assuntos sérios.
B) acentuar a necessidade de respeito entre as diferentes espécies.
C) questionar a indiferença do homem em relação ao meio ambiente.
D) alertar a população para a conveniência do desenvolvimento tecnológico.
E) destacar a limitação humana para a percepção da realidade da vida animal.
Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Língua Portuguesa (Leitura de Imagem e Gênero Cartum/Charge)
- Sociologia/Filosofia (Ética Ambiental e Comportamento Social)
- Tema/Objetivo Geral: Interpretar a crítica social presente em um cartum que utiliza a inversão de papéis e a intertextualidade (com os “Três Macacos Sábios”) para denunciar a alienação humana diante da crise ambiental.
- Nível da Questão: Médio.
- A questão exige a decodificação de múltiplos símbolos: o macaco (natureza), o gasoduto (progresso/destruição), os troncos cortados (desmatamento) e a postura dos homens (omissão). A chave é perceber a inversão irônica: o animal é racional e alerta, o homem é alienado.
- Gabarito: C
- A alternativa está correta. A imagem mostra homens de terno (símbolo do poder/economia) imitando os “macacos que não veem, não ouvem e não falam”, ignorando o alerta do macaco real sobre o desmatamento. Isso configura uma crítica direta à indiferença humana em relação à natureza.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Olhe para esse desenho. Tem homens agindo como macacos e um macaco agindo como homem consciente. Qual é a crítica ou mensagem séria (função social) escondida nessa piada visual?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que sua casa está pegando fogo. O cachorro late para avisar. Você, em vez de apagar o fogo, coloca fones de ouvido e uma venda nos olhos. O cartum mostra exatamente isso: a natureza (macaco) grita “Olha a árvore!”, e a humanidade (homens) responde fingindo que não existe problema. A questão quer que você dê um nome para essa atitude de “fingir que não vê”.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Ler os Símbolos: Identificar o que cada elemento representa (Gasoduto = Indústria; Troncos = Destruição; Homens de Terno = Sociedade/Empresários).
- Identificar a Referência: Reconhecer a pose dos homens (não vejo, não ouço, não falo).
- Captar a Inversão: Perceber que o macaco é quem está preocupado, enquanto os homens estão alheios.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para entender a charge, vamos usar uma Tabela de Decodificação Visual.
TABELA: O JOGO DOS OPOSTOS
| Elemento | Representação | Ação no Cartum | Significado |
| Macaco | A Natureza / O Instinto. | Aponta, grita, alerta sobre a árvore. | Consciência Ambiental. |
| Homens | A Civilização / A Razão. | Tapam olhos, ouvidos e boca. | Indiferença / Alienação. |
| Troncos | O Meio Ambiente. | Servem de banco para os homens. | A natureza subjugada/destruída. |
| Gasoduto | O Progresso Industrial. | Serve de poleiro para o macaco. | A invasão humana no habitat. |
Conclusão da Ferramenta: O humor vem da ironia: o “ser racional” age como ignorante, e o “animal irracional” age como consciente.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Vamos analisar a cena.
- A Causa do Conflito: Há um macaco sentado num gasoduto (símbolo de exploração de recursos). Ele aponta para um balão de pensamento com uma árvore. Ele está dizendo: “Vocês destruíram a floresta! Olha o que sobrou!”.
- A Reação Humana: Os três homens estão sentados sobre tocos de árvores cortadas (a prova do crime ambiental). Em vez de ouvir o macaco ou ver o estrago, eles reproduzem a famosa pose dos “Três Macacos Sábios” (Mizaru, Kikazaru, Iwazaru).
- A Crítica Social: Ao adotarem essa pose, eles escolhem deliberadamente ignorar a realidade. Eles não estão apenas descansando; eles estão se recusando a encarar o problema ambiental que eles mesmos criaram (estão sentados no resultado do desmatamento). Essa recusa consciente chama-se indiferença.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A armadilha aqui é focar na palavra “evolução” ou “primatas” e marcar a alternativa E (limitação humana para a percepção da vida animal). O aluno pode pensar: “Ah, o homem não entende o macaco, por isso não vê”.
- O Erro: Os homens não têm uma limitação biológica; eles escolhem tapar os olhos e ouvidos. Eles estão de terno (símbolo de poder/negócios), sentados no lucro da destruição. A cegueira deles é moral e voluntária (indiferença), não uma incapacidade física de perceber a realidade.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: O cartum usa a inversão (homens agindo como os “macacos cegos/surdos/mudos”) para criticar a atitude da sociedade moderna de ignorar os alertas sobre a destruição ambiental, mesmo estando sentada sobre os destroços dela.
- Expectativa: Uma alternativa que fale sobre “indiferença”, “omissão”, “ignorar” ou “descaso” com o meio ambiente.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) criticar a postura humana de fazer piada com assuntos sérios.
- O “Diagnóstico do Erro”: Invenção. Os homens não estão rindo ou fazendo piada. Eles estão sérios, de olhos e ouvidos tapados. A atitude é de negação, não de deboche.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
B) acentuar a necessidade de respeito entre as diferentes espécies.
- O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Superficial (Moralismo). Embora o respeito seja bom, o foco do cartum não é a convivência pacífica (um aperto de mão), mas sim o alerta ambiental ignorado. O problema não é falta de educação, é destruição do habitat.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
C) questionar a indiferença do homem em relação ao meio ambiente.
- Análise de Correspondência: Perfeita. “Indiferença” é a tradução exata da pose de “não ver, não ouvir, não falar”. O objeto dessa indiferença é o meio ambiente (representado pela árvore no balão e pelos tocos onde sentam).
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
D) alertar a população para a conveniência do desenvolvimento tecnológico.
- O “Diagnóstico do Erro”: Leitura Oposta. O gasoduto e os tocos mostram o custo ambiental do desenvolvimento, não a sua conveniência. O cartum é uma crítica negativa, não uma propaganda positiva do progresso.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
E) destacar a limitação humana para a percepção da realidade da vida animal.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Foco. O problema não é entender a biologia do macaco (“vida animal”), mas entender o impacto ambiental (a árvore cortada). Além disso, como visto na armadilha, a limitação é ética (escolha de ignorar), não perceptiva/biológica.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa C é a correta. A pior cegueira é a de quem não quer ver, especialmente quando se está sentado em cima da prova do crime ambiental.
Resumo-flash (A Imagem Mental): O macaco evoluiu para a consciência; o homem involuiu para a ignorância.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A imagem dos Três Macacos Sábios (origem japonesa) originalmente significava “não olhe para o mal, não escute o mal, não fale o mal” (uma forma de pureza). O cartum faz uma paródia ou ironia desse símbolo: aqui, tapar os sentidos não é pureza, é alienação e cumplicidade com a destruição. Essa técnica de subverter um símbolo conhecido é muito comum em charges políticas.
