Questão 27 caderno azul ENEM 2025 Dia 1

Disciplina:

A diferença entre briga e luta é a existência de juízes e medalhas? A briga desumaniza o outro e pode até matá-lo. Já na luta, as intenções do outro são consideradas sua proposta combativa e suas habilidades, enfim, sua meta de vencer. Na luta, o desenvolvimento passa pelo contato com a agressividade, a raiva, a frustração, o orgulho, a determinação e a fraqueza. Daí também a luta não ser apenas com o outro, mas consigo mesmo, num combate contra as próprias limitações, sobretudo, contra o próprio orgulho.

BARREIRA, C. A briga desumaniza. A luta, não.
O Estado de S. Paulo, 22 ago. 2010 (adaptado).

Esse texto apresenta as diferenças entre briga e luta, na medida em que aponta o(a)

A) Superação pessoal na luta.

B) violência evidenciada na luta.

C) predomínio de regras na briga.

D) desafio externo presente na luta.

E) habilidade desenvolvida na briga.

 Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto Dissertativo-Argumentativo
  • Análise de Definição por Contraste

Tema/Objetivo Geral: Identificar a tese central de um texto que define um conceito (luta) em oposição a outro (briga).

Nível da Questão
Fácil. – O texto é curto e extremamente didático em sua estrutura de contraste. Ele apresenta as características da “briga” e da “luta” de forma claramente oposta, guiando o leitor a uma conclusão inequívoca. As alternativas incorretas contradizem diretamente o texto ou focam em aspectos secundários.

Gabarito
Letra A. – A alternativa está correta pois captura a essência da definição de “luta” segundo o autor: um combate que não é apenas contra um oponente, mas, fundamentalmente, contra as próprias fraquezas e limitações, visando o autodesenvolvimento.


PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão nos pede para identificar o ponto central que, segundo o texto, diferencia a “luta” da “briga”. Ou seja, qual é a característica fundamental que torna a “luta” uma experiência construtiva?

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense na diferença entre vandalismo e arte de rua (graffiti). Um vândalo usa uma lata de spray para destruir uma superfície, para anular o que estava ali (“a briga desumaniza o outro”). Um artista de rua usa a mesma lata de spray para criar algo novo, para expressar uma ideia e superar os desafios daquela superfície (“combate contra as próprias limitações”). Ambos usam a mesma ferramenta e o mesmo espaço, mas a intenção e o resultado são opostos. Nossa missão é identificar a essência da “arte de rua” que é a luta.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  1. Analisar o “Vilão”: Definir as características da “briga” segundo o texto.
  2. Analisar o “Herói”: Definir as características da “luta” segundo o texto.
  3. Identificar o Ponto de Virada: Encontrar a qualidade mais importante que eleva a luta acima da briga.
  4. Construir o Retrato Falado: Definir o que a alternativa correta precisa afirmar sobre essa qualidade.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A ferramenta perfeita para visualizar a dualidade do texto é uma Tabela Comparativa. Ela nos permite colocar os dois conceitos lado a lado e ver o contraste de forma clara.

A BRIGA (Ação Destrutiva)A LUTA (Ação Construtiva)
Ausência de regras (“juízes e medalhas” implícito)Existência de regras e reconhecimento
Foco: Desumanizar e eliminar o outro.Foco: Considerar o outro, suas habilidades e metas.
Resultado: Potencialmente a morte.Resultado: Desenvolvimento, aprendizado.
Natureza do Conflito: Puramente externo.Natureza do Conflito: Externo e, crucialmente, interno.
Inimigo Principal: O outro.Inimigo Principal: As próprias limitações e o orgulho.

A tabela revela que, enquanto a briga é um ato de anulação do outro, a luta é um ato de construção de si mesmo.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos seguir as pistas do texto. O autor começa diferenciando as duas no plano externo: a briga desumaniza, a luta considera o oponente. Mas o argumento não para aí. Ele aprofunda a análise da luta, mostrando que ela é um campo para lidar com emoções complexas (“raiva, frustração, orgulho”).

O clímax do argumento, a pista definitiva, está na frase final: “Daí também a luta não ser apenas com o outro, mas consigo mesmo, num combate contra as próprias limitações, sobretudo, contra o próprio orgulho”. Aqui, o autor revela o verdadeiro cerne da questão. O que enobrece a luta é sua dimensão de autoaperfeiçoamento.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
O erro mais comum é focar apenas na primeira parte da definição de “luta”. O texto diz que na luta “as intenções do outro são consideradas”. Isso poderia levar um leitor a se fixar na alternativa (D), que fala em “desafio externo”. CUIDADO! Embora o desafio externo exista, o autor o utiliza como um ponto de partida para chegar à sua tese principal, que é a dimensão interna. A alternativa (D) descreve o palco, mas a alternativa (A) descreve a peça principal que acontece nele.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O texto define a luta por oposição à briga, argumentando que sua característica mais nobre e definidora não é o confronto com o outro, mas a oportunidade que ela cria para o confronto consigo mesmo e a superação de fraquezas internas.
  • Expectativa: A alternativa correta deve, obrigatoriamente, destacar essa dimensão interna, de autoaperfeiçoamento ou superação pessoal presente na luta.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

A) Superação pessoal na luta.

  • Análise de Correspondência: Esta alternativa é uma síntese perfeita da “Expectativa” e da conclusão do texto. “Superação pessoal” é exatamente o que significa um “combate contra as próprias limitações”.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

B) violência evidenciada na luta.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor associa “luta” com o conceito genérico de violência física.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição de Intenção. O texto inteiro se esforça para diferenciar a luta da violência pura (a briga). O objetivo do autor é mostrar a luta como algo construtivo, não como violência.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) predomínio de regras na briga.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor inverte os conceitos apresentados no texto.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto sugere o oposto: a ausência de regras (“juízes e medalhas”) é que caracteriza a briga.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) desafio externo presente na luta.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor se atém à parte do texto que menciona “considerar as intenções do outro”.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo. Esta é a principal armadilha. O desafio externo existe na luta, mas o texto o apresenta como secundário em importância em relação ao desafio interno, que é a tese principal.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) habilidade desenvolvida na briga.

  • A “Narrativa do Erro”: O leitor pode pensar que “brigas de rua” também exigem algum tipo de habilidade.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto associa o desenvolvimento de habilidades (“contato com a agressividade, a raiva, a frustração…”) à luta, não à briga.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: A resposta correta é a letra A, pois o autor eleva o conceito de “luta” de um mero confronto físico para uma poderosa ferramenta de superação pessoal, onde o verdadeiro oponente a ser vencido são as próprias limitações.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Na briga, você tenta destruir o outro. Na luta, você tenta reconstruir a si mesmo.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A distinção filosófica que o texto faz entre briga e luta é a mesma que a Psicologia do Esporte aplica no treinamento de atletas de elite. Um atleta que entra em uma competição com a mentalidade de “briga” foca em destruir o adversário, o que frequentemente leva à ansiedade, ao descontrole emocional e a erros técnicos. Já o atleta treinado na mentalidade de “luta” (ou performance mindset) foca em executar seu próprio plano com perfeição, superando suas próprias barreiras mentais e físicas. O adversário é visto como um “parceiro” necessário que o força a atingir seu potencial máximo. O oponente não é o inimigo, mas o catalisador da própria superação. A vitória se torna uma consequência do autodomínio, não da destruição do outro.

Disciplina:

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