Disponível em: www.tjdft.jus.br. Acesso em: 15 out. 2024 (adaptado).
Esse texto trata de um problema social com o propósito de
A) divulgar campanha virtual contra casos de feminicídio.
B) promover engajamento do setor educacional na luta contra a violência.
C) comparar o impacto da violência na qualidade de vida de meninas e meninos.
D) ressaltar a importância da segurança dos estudantes no ambiente escolar.
E) dar visibilidade a estudos e pesquisas do setor de segurança.
Resolução Em Texto
Matérias Necessárias para a Solução da Questão
- Interpretação de Gênero Textual (Cartaz/Peça Publicitária)
- Análise de Linguagem Mista (Texto e Imagem)
- Estratégias de Argumentação e Persuasão
Tema/Objetivo Geral: Identificar o propósito comunicativo de uma campanha de conscientização social.
Nível da Questão
Médio. – A dificuldade reside na presença de um distrator muito forte (alternativa D), que aborda um tema correlato (segurança na escola). Para chegar à resposta correta, é preciso aplicar rigorosamente o filtro do comando (“qual o propósito?”) e perceber que o cartaz não fala de segurança de forma genérica, mas defende uma ação específica em um local específico: a discussão sobre violência de gênero no ambiente escolar.
Gabarito
Letra B. – A alternativa está correta pois o propósito central do cartaz, evidenciado pelo título da campanha (“Maria da Penha vai à Escola”) e pela pergunta retórica, é convencer e mobilizar o setor educacional a participar ativamente do combate à violência de gênero.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: A questão nos pede para identificar a missão do cartaz. Qual é o seu objetivo final? O que ele quer que aconteça no mundo depois que as pessoas o lerem? Ele não quer apenas nos informar sobre um problema, ele quer nos convencer a apoiar uma solução específica. Nossa tarefa é identificar essa solução e quem são os agentes convocados para aplicá-la.
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine um folheto que pergunta: “Por que ter aulas de primeiros socorros no escritório?”. O folheto não está falando apenas sobre a importância da saúde em geral. Ele está defendendo uma ação específica (aulas de primeiros socorros) em um local específico (o escritório). Seu propósito é engajar a empresa e os funcionários nessa iniciativa. O cartaz da questão faz o mesmo: a “violência contra a mulher” é o problema, e as “aulas na escola” são a solução proposta.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Identificar o Problema: Qual a questão social que o cartaz aborda?
- Identificar a Arena: Onde o cartaz propõe que esse problema seja combatido?
- Analisar a Estratégia: Como a campanha justifica a escolha dessa arena?
- Construir o Retrato Falado: Definir o que a alternativa correta precisa afirmar sobre o objetivo dessa estratégia.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
A ferramenta de análise aqui é a dissecação da estrutura argumentativa do cartaz.
Dossiê Investigativo: A Lógica da Campanha
- Título (A Pergunta que Guia): “Por que falar sobre violência contra mulheres na escola?” – O foco já está delimitado: não é em qualquer lugar, é na escola.
- Nome da Campanha (A Ação Concreta): “Maria da Penha vai à Escola” – O nome do projeto reforça a arena do debate. É uma ação proativa que entra no ambiente educacional.
- Argumento Principal (A Justificativa): “A violência de gênero afeta a vida de meninas e meninos […] é um dos grandes empecilhos para que vivam plenamente…” – Responde à pergunta do título, justificando por que a escola deve se envolver.
- Chamada à Ação (O Convite): Os ícones laterais (“#DESAFIO…igualdade”, “dossiê…”) e a própria natureza do cartaz convidam à reflexão e ao engajamento.
A análise da estrutura mostra que todos os elementos convergem para um único ponto: a importância de trazer a luta contra a violência de gênero para dentro do ecossistema educacional.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
O cartaz constrói seu argumento de forma muito clara. Ele não está apenas dizendo “a violência de gênero é ruim”. Ele está afirmando que a escola é um lugar estratégico para combater esse mal. A pergunta “Por que falar […] na escola?” antecipa uma possível objeção (“isso não é assunto de escola”) e a responde imediatamente, mostrando que o problema afeta diretamente a vida dos estudantes e seu desenvolvimento.
O propósito, portanto, não é apenas informar sobre a violência, mas promover uma ação específica: o engajamento de professores, diretores, alunos e toda a comunidade escolar nesse debate.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
A armadilha mais perigosa é a alternativa (D), “ressaltar a importância da segurança dos estudantes no ambiente escolar”. O texto fala em “viver com segurança”. CUIDADO! O cartaz não trata da segurança escolar em seu sentido amplo (como evitar bullying, acidentes ou violência em geral). Ele trata da escola como um agente de transformação social para um problema que começa fora dela, mas que impacta a vida dos estudantes. O propósito não é tornar a escola um cofre, mas torná-la uma ferramenta.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A campanha foca no ambiente escolar como o local privilegiado para a discussão e o combate à violência de gênero, buscando mobilizar este setor específico da sociedade.
- Expectativa: A alternativa correta deve conectar o setor educacional (escola) com a promoção ou o engajamento na luta contra a violência.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
A) divulgar campanha virtual contra casos de feminicídio.
- A “Narrativa do Erro”: O leitor vê a hashtag e a associa com uma campanha puramente online.
- O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Foco. A hashtag é um elemento de apoio, mas a campanha central (“Maria da Penha vai à Escola”) sugere uma ação presencial e focada no ambiente escolar.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
B) promover engajamento do setor educacional na luta contra a violência.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado perfeito. “Promover engajamento” descreve o propósito da campanha. “Do setor educacional” identifica o público-alvo e a arena. “Na luta contra a violência” define o tema central.
- Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
C) comparar o impacto da violência na qualidade de vida de meninas e meninos.
- A “Narrativa do Erro”: O leitor foca na frase “afeta a vida de meninas e meninos”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Argumento com Propósito. A menção aos meninos é um argumento para mostrar a amplitude do problema, mas o propósito do cartaz não é fazer uma análise comparativa, e sim justificar a intervenção na escola.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
D) ressaltar a importância da segurança dos estudantes no ambiente escolar.
- A “Narrativa do Erro”: O leitor se atém à palavra “segurança” presente no texto.
- O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo / Armadilha Principal. Conforme explicado, a alternativa generaliza o tema. O foco não é a segurança na escola, mas a escola como ferramenta para promover segurança na vida.
- Como estaria certa? Esta alternativa estaria correta se o cartaz mostrasse imagens de câmeras de segurança, portões ou debates sobre bullying dentro da escola, com a chamada “Por uma escola mais segura para todos”.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
E) dar visibilidade a estudos e pesquisas do setor de segurança.
- A “Narrativa do Erro”: O leitor foca na menção ao “Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Fonte com Mensagem. A menção ao anuário serve para dar credibilidade e fundamentar o argumento, mas o propósito do cartaz não é divulgar o estudo, e sim promover a campanha “Maria da Penha vai à Escola”.
- Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: A resposta correta é a letra B, pois o cartaz não vê a escola apenas como um lugar onde as crianças estão, mas como o lugar onde a sociedade pode ser transformada, convocando o setor educacional a ser protagonista no combate à violência de gênero.
Resumo-flash (A Imagem Mental): A campanha não quer colocar um muro em volta da escola para protegê-la do mundo; quer abrir as portas da escola para consertar o mundo.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): A estratégia desta campanha se alinha perfeitamente com o conceito de prevenção primária em Saúde Pública. Em vez de apenas tratar os “doentes” (vítimas e agressores) depois que o problema já ocorreu (prevenção secundária/terciária), a prevenção primária busca atacar as “causas da doença” (as raízes culturais da violência) antes que ela se manifeste. Ao levar o debate para a escola, a campanha atua na “vacinação” social das novas gerações, educando-as para a igualdade e o respeito, a fim de diminuir a incidência da “doença” (violência de gênero) no futuro.
