Questão 46 caderno azul ENEM 2025 Dia 1


Macedônia do Norte
Acordo entra em vigor e país muda oficialmente de nome

Entrou em vigor, em 2019, o acordo que determina a mudança de nome da Macedônia para Macedônia do Norte. A troca põe fim — ao menos por enquanto — no impasse entre essa antiga república da lugoslávia e a vizinha Grécia. O governo grego se opunha ao uso do nome Macedônia pelo novo país vizinho porque a Grécia tem uma província no norte com o mesmo nome. Por causa desse impasse, a Grécia bloqueou as negociações de adesão de seu vizinho à União Europeia. Depois de negociações, as duas partes chegaram a um acordo.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 7 nov. 2021 (adaptado).

Para o país originado da antiga Iugoslávia, a mudança de nome é uma estratégia política para

A) criar a moeda própria.

B) proteger a cultura local.

C) subjugar a minoria étnica.

D) expandir o território nacional.

E) intensificar a integração regional.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Texto
  • Geopolítica e Relações Internacionais
  • Formação de Blocos Econômicos (União Europeia)

Tema/Objetivo Geral:
Análise de uma estratégia política em um contexto de relações internacionais para alcançar um objetivo de integração regional.

Nível da Questão

  • Fácil. – A questão é considerada fácil porque o texto é muito direto ao apresentar uma cadeia clara de causa e consequência: a Grécia bloqueava a adesão à União Europeia por causa do nome, logo, a mudança de nome foi a solução para remover esse bloqueio e prosseguir com a adesão.

Gabarito

  • E) intensificar a integração regional. – A alternativa está correta pois o texto deixa claro que o objetivo final da Macedônia do Norte era remover o bloqueio grego para poder aderir à União Europeia, que é o principal exemplo de integração regional no continente.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão nos pede para identificar o objetivo final, a grande jogada estratégica, que o governo da antiga Macedônia queria alcançar ao concordar em mudar o nome do próprio país.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você quer entrar em um clube muito importante (a União Europeia), que trará muitos benefícios. No entanto, um membro poderoso do conselho (a Grécia) está vetando sua entrada, alegando que seu sobrenome é muito parecido com o dele e isso gera confusão. Após negociar, você concorda em adicionar um “Júnior” ao seu nome. Qual foi sua estratégia? Sua intenção não era apenas mudar de nome por mudar, mas sim remover o veto do conselheiro para, finalmente, conseguir entrar no clube. Nossa missão é encontrar o “clube” que a Macedônia do Norte queria tanto entrar.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Identificar o Conflito: Qual era o problema exato entre a Grécia e a então Macedônia?
  • Identificar a Consequência do Conflito: O que a Grécia estava fazendo que prejudicava a Macedônia?
  • Analisar a Solução: Como a mudança de nome resolveu especificamente essa consequência?
  • Construir o “Retrato Falado”: Descreveremos qual era o objetivo maior que a remoção desse problema permitiu alcançar.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso de geopolítica, a melhor ferramenta é um Fluxograma de Raciocínio (em Texto), que nos permite seguir a cadeia de eventos de forma lógica e clara.

Fluxograma do Impasse Geopolítico

  • PONTO DE PARTIDA (O Desejo):
    • O país Macedônia deseja aderir à União Europeia (UE).
  • OBSTÁCULO (A Oposição):
    • A Grécia, um país-membro da UE, opõe-se.
  • CAUSA DO OBSTÁCULO (O Motivo):
    • A Grécia possui uma província chamada “Macedônia” e reivindica o nome como parte de sua herança histórica, opondo-se ao uso exclusivo pelo país vizinho.
  • AÇÃO DO OBSTÁCULO (O Bloqueio Explícito):
    • O texto afirma: “Por causa desse impasse, a Grécia bloqueou as negociações de adesão de seu vizinho à União Europeia.” Esta é a pista crucial.
  • SOLUÇÃO ESTRATÉGICA (A Concessão):
    • Após negociações, o país Macedônia concorda em mudar seu nome para Macedônia do Norte.
  • RESULTADO DA SOLUÇÃO (A Consequência):
    • O impasse com a Grécia é resolvido e o bloqueio à adesão é removido.
  • OBJETIVO FINAL (O Fim do Caminho):
    • O caminho para entrar na União Europeia fica livre. Entrar na UE é o mais alto grau de integração com os países da sua região.

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos executar nosso plano, usando as conclusões do nosso fluxograma.

1. O Coração do Problema: O conflito não era sobre território, moeda ou cultura em geral, mas sobre um nome e o que ele simbolizava.

2. O Poder de Veto Grego: A consequência direta desse conflito de nomes não era uma guerra ou uma disputa comercial, mas algo muito específico: a Grécia estava usando seu poder dentro da União Europeia para impedir a entrada de seu vizinho. O problema real para a Macedônia não era a opinião da Grécia, mas a ação de bloqueio que essa opinião gerava.

3. A Solução como Chave: A mudança de nome para “Macedônia do Norte” não foi um ato simbólico qualquer. Foi a chave exata para destravar uma porta específica: a porta das negociações com a UE. Ao fazer essa concessão, o país removeu o único argumento que a Grécia usava para justificar o bloqueio.

4. O Objetivo Maior: Portanto, a estratégia não termina na mudança de nome. Esse é o meio. O fim, o grande prêmio, é aquilo que o bloqueio impedia: a adesão à União Europeia. Aderir a um bloco como a UE, compartilhando regras, economia e política com seus vizinhos, é a definição de intensificar a integração regional.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A mudança de nome foi uma concessão pragmática feita pela Macedônia do Norte para neutralizar o veto da Grécia e, assim, viabilizar seu principal objetivo de política externa: aderir à União Europeia.
  • Expectativa: A alternativa correta deve descrever o ato de se juntar ou se aproximar de organizações regionais, como a União Europeia.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar os suspeitos com nosso “retrato falado”.

A) criar a moeda própria.

  • Análise de Correspondência: O texto não faz qualquer menção a questões monetárias.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) proteger a cultura local.

  • Análise de Correspondência: A mudança de nome, para muitos nacionalistas, poderia ser vista como uma concessão cultural, e não uma proteção. O objetivo era pragmático, não cultural.
  • Diagnóstico do Erro: Interpretação Incompatível com a Lógica do Texto.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) subjugar a minoria étnica.

  • Análise de Correspondência: O conflito discutido no texto é externo (com a Grécia), não interno (entre etnias do país).
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) expandir o território nacional.

  • Análise de Correspondência: O impasse era sobre um nome, não sobre fronteiras. Não há menção a disputas ou expansão territorial.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

E) intensificar a integração regional.

  • Análise de Correspondência: Esta alternativa se encaixa perfeitamente na nossa Bússola. Aderir à União Europeia é o principal exemplo de intensificação da integração regional. A mudança de nome foi o meio para atingir esse fim.
  • Diagnóstico do Erro: N/A.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: A resposta correta é a alternativa E, pois o texto demonstra um caso clássico de pragmatismo geopolítico, no qual uma nação faz uma concessão simbólica (mudar de nome) para alcançar um ganho estratégico muito maior (a integração a um bloco regional poderoso).

Resumo-flash (A Imagem Mental): Às vezes, para entrar no clube da vizinhança, é preciso primeiro ajustar o nome na caixa do correio.

 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de fazer uma concessão para se integrar a um sistema maior se aplica no campo da Tecnologia e Padronização de Software. Uma empresa de software pode ter um sistema proprietário, único e que considera culturalmente superior. No entanto, para que seu software seja compatível com o resto do mundo (ou seja, para se “integrar regionalmente” no ecossistema digital), ela precisa abandonar seu padrão exclusivo e adotar padrões universais como USB-C, HTML5 ou formatos de arquivo abertos. A “mudança de nome” aqui é a adoção de um padrão comum. A estratégia é a mesma: sacrificar uma particularidade para ganhar os imensos benefícios da integração em um sistema maior.


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