Questão 47 caderno azul ENEM 2025 Dia 1


Concentração de CO₂ por queimadas entre África e Brasil em 30 de agosto de 2019

Disponível em: https://noticias.uol.com.br. Acesso em: 10 out. 2019 (adaptado)

A dispersão espacial do problema ambiental representado na imagem de satélite é explicada pela seguinte característica geográfica:

A) Amplitude das temperaturas médias.

B) Homogeneidade da insolação anual.

C) Ocorrência de chuvas de relevo.

D) Circulação de massas de ar.

E) Ausência de frentes frias.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Mapas e Imagens de Satélite (Cartografia Temática)
  • Climatologia (Circulação Atmosférica e Massas de Ar)
  • Geografia Ambiental (Dispersão de Poluentes)

Tema/Objetivo Geral:
Análise da dispersão transcontinental de poluentes atmosféricos com base na circulação geral da atmosfera.

Nível da Questão

  • Médio. – A questão é de nível médio, pois não basta apenas observar a imagem. É necessário mobilizar um conhecimento prévio de geografia física/climatologia para identificar o agente transportador invisível que move a poluição por milhares de quilômetros sobre o oceano. A simples leitura da imagem sem esse conhecimento pode levar a conclusões equivocadas.

Gabarito

  • D) Circulação de massas de ar. – Esta alternativa está correta porque a mancha de CO₂, que se estende por todo o Oceano Atlântico Sul, só pode ser transportada de um continente a outro pela ação dos ventos em grande escala, ou seja, pela circulação das massas de ar.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão nos pede para identificar a força da natureza, a grande “rodovia invisível”, que pega a poluição gerada no Brasil e na África e a espalha por uma área tão gigantesca, inclusive sobre o oceano.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que você joga um punhado de purpurina em frente a um ventilador ligado. A purpurina não cai reta no chão; ela é carregada por todo o cômodo pelo fluxo de ar. Agora, imagine que as “queimadas” são a purpurina e a “atmosfera” é o cômodo. A questão quer saber: qual é o nome do “ventilador” planetário que está soprando essa poluição de um lado para o outro do oceano?

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano de ataque será metódico para não perdermos nenhuma pista.

  • Analisar a Cena do Crime: Vamos primeiro decodificar a imagem de satélite e sua legenda para entender exatamente o que está acontecendo, onde começa e para onde vai a poluição.
  • Identificar o Meio de Transporte: Vamos estabelecer em qual “terreno” (sólido, líquido ou gasoso) o poluente está viajando.
  • Deduzir o Agente Transportador: Com base no meio, vamos deduzir qual é a única força natural capaz de mover algo por distâncias tão vastas.
  • Construir o “Retrato Falado”: Ao final, teremos uma descrição precisa do fenômeno culpado, que usaremos para julgar as alternativas.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para um caso que envolve um agente transportador invisível, mas com rastros evidentes, precisamos de um método investigativo que elimine os suspeitos e encurrale o verdadeiro culpado. Vamos montar um Dossiê de Rastreamento Atmosférico.

Dossiê de Rastreamento Atmosférico

  • 1. A EVIDÊNCIA (A Mancha do Crime):
    • Temos uma gigantesca pluma de CO₂ (um gás) e material particulado (fumaça) suspensa na atmosfera.
    • Observação Crucial: A mancha não é estática. Ela se estende por milhares de quilômetros, de um continente a outro, sobre o oceano, formando uma “ponte” de poluição. Isso prova que o poluente está sendo ativamente transportado.
  • 2. A LISTA DE SUSPEITOS (Os Possíveis Veículos de Fuga):
    • Que força natural poderia transportar algo pela atmosfera por distâncias tão colossais?
      • Suspeito A: Chuvas.
      • Suspeito B: Rotação da Terra.
      • Suspeito C: Vento (Movimento do Ar).
  • 3. O INTERROGATÓRIO (A Eliminação dos Inocentes):
    • Interrogando o Suspeito A (Chuvas): NÃO. As chuvas são um agente de limpeza da atmosfera. Elas capturam partículas e as depositam no solo, removendo-as do ar. Suspeito A está inocentado.
    • Interrogando o Suspeito B (Rotação da Terra): NÃO, mas sou cúmplice. A rotação (Efeito Coriolis) não move o ar, mas influencia a direção dos ventos, ajudando a formar os padrões de circulação. Suspeito B é um cúmplice, mas não o ator principal.
  • 4. A CONFISSÃO (O Culpado Revelado):
    • Encurralando o Suspeito C (Vento): SIM. O único agente capaz de carregar gases e partículas pela atmosfera é o próprio ar em movimento. Para cobrir distâncias transoceânicas, falamos de sistemas de ventos persistentes e em escala planetária. Esses imensos volumes de ar são as massas de ar, e seu movimento contínuo é a circulação geral da atmosfera. Na região mostrada (entre os trópicos), os ventos predominantes são os Ventos AlísiosO culpado tem um nome completo: Circulação de Massas de Ar.

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos narrar em detalhes a jornada épica da poluição, desvendando o modus operandi do nosso culpado.

1. O Lançamento (A Fuga para a Atmosfera): A história começa no chão, com as queimadas. O calor intenso dos incêndios funciona como um poderoso motor de lançamento. Ele aquece o ar ao redor, que se torna mais leve e sobe rapidamente, carregando consigo os passageiros indesejados: o gás CO₂ e a fumaça. Eles não sobem apenas alguns metros; eles são catapultados para altitudes elevadas, onde as “regras do jogo” são diferentes e eles se tornam vulneráveis a forças muito maiores.

2. A Captura (Embarcando na Rodovia Invisível): Uma vez nessas altitudes, a poluição encontra as grandes “rodovias” da atmosfera. Não são ventos locais ou brisas passageiras. São correntes de ar colossais, verdadeiros rios atmosféricos com centenas de quilômetros de largura que fluem incessantemente ao redor do planeta. Esses rios são as massas de ar em circulação. A poluição, agora à deriva, é capturada por essa correnteza implacável e começa sua longa viagem, sem chance de escapar.

3. A Travessia e a Acumulação (A Formação da Ponte de Fumaça): A imagem de satélite não mostra o rastro de uma única queimada, mas o resultado acumulado de milhares delas. Imagine incontáveis partículas embarcando nesse “rio de ar” todos os dias, tanto do Brasil quanto da África. À medida que viajam, elas se unem e se misturam, formando a gigantesca pluma, a “ponte” de poluição que vemos conectando os dois continentes. O que a imagem revela é o tráfego intenso e contínuo nessa rodovia atmosférica, provando que o fluxo é constante e a direção, bem definida.

4. A Evidência Final (A Fotografia do Crime): A imagem de satélite, portanto, é a nossa prova cabal. Ela é a “foto aérea” que revela a rota de fuga completa do criminoso. Um crime de escala transcontinental só poderia ser perpetrado por um agente com alcance e poder igualmente vastos. A imagem descarta qualquer suspeito local (como chuvas de relevo) e aponta inequivocamente para um culpado global: a circulação de massas de ar.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais comum aqui é a alternativa (C) “Ocorrência de chuvas de relevo”. O raciocínio falho é: “A Amazônia tem muito relevo e muita chuva, então deve ter a ver com isso”. Este é um erro grave de conceito. A chuva é um mecanismo de limpeza da atmosfera; ela remove as partículas e gases (como na chuva ácida), fazendo-os precipitar. A chuva não transporta poluentes horizontalmente por milhares de quilômetros através de um oceano. Ela os tira de circulação.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: O mapa exibe um padrão de dispersão de poluentes em escala transcontinental e oceânica. Esse fenômeno só pode ser explicado por um mecanismo de transporte atmosférico de grande escala, capaz de mover gases e partículas por vastas distâncias.
  • Expectativa: A alternativa correta deve nomear esse sistema de transporte atmosférico, utilizando termos como “vento”, “massas de ar” ou “circulação atmosférica”.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos confrontar os suspeitos com nosso “retrato falado”.

A) Amplitude das temperaturas médias.

  • Análise de Correspondência: As diferenças de temperatura são o motor que causa a movimentação do ar, mas não são o mecanismo de transporte em si.
  • Diagnóstico do Erro: Confundir Causa com Consequência/Processo.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) Homogeneidade da insolação anual.

  • Análise de Correspondência: Assim como a temperatura, a insolação (energia solar) é uma causa primária dos padrões climáticos, mas não o processo de transporte da poluição. Além disso, a insolação nas áreas mostradas não é homogênea.
  • Diagnóstico do Erro: Fuga ao Tema e Confusão de Conceitos.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) Ocorrência de chuvas de relevo.

  • Análise de Correspondência: Como detalhado na “Armadilha Clássica”, a chuva remove poluentes, não os dispersa em longas distâncias.
  • Diagnóstico do Erro: Contradição Direta com o Processo Físico.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) Circulação de massas de ar.

  • Análise de Correspondência: Esta alternativa descreve perfeitamente o “ventilador planetário” ou os “rios de ar” que deduzimos ser o agente transportador. É a descrição exata do mecanismo responsável pelo padrão visto no mapa.
  • Diagnóstico do Erro: N/A.
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

E) Ausência de frentes frias.

  • Análise de Correspondência: A presença ou ausência de um fenômeno meteorológico específico como uma frente fria não explica o padrão de circulação massivo, constante e em escala hemisférica mostrado na imagem.
  • Diagnóstico do Erro: Reducionismo (Descrever um evento local, não um sistema global).
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: A resposta correta é a alternativa D, pois a imagem é uma prova visual poderosa de que a atmosfera terrestre é um sistema globalmente conectado, onde a circulação de massas de ar funciona como uma esteira transportadora que redistribui poluentes, poeira e umidade por todo o planeta.

Resumo-flash (A Imagem Mental): A atmosfera não tem paredes; o que é queimado na Amazônia hoje pode ser respirado sobre o Atlântico amanhã, graças aos grandes rios de vento.

 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio da circulação de massas de ar que transporta poluição também é vital para a Biologia e a Agronomia. A poeira rica em minerais do Deserto do Saara, na África, é regularmente levantada para a atmosfera e transportada por essas mesmas correntes de ar através do Atlântico, servindo como um fertilizante natural para a Floresta Amazônica. Ou seja, os mesmos “rios de ar” que podem levar o CO₂ das queimadas também levam nutrientes essenciais que ajudam a manter a floresta viva. É um sistema de dois gumes que conecta ecossistemas distantes de formas surpreendentes.


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