QUESTÃO 01 (ESPANHOL) caderno azul ENEM 2025 Dia 1

Disciplina:

¿Dónde está nuestro pan, patrón?
¿Dónde quedó todo ese dinero?
¿Lo tiene oculto bajo el colchón
o lo escondió en otro sucio agujero?

Yo tengo un Tàpies, dice Juan Luis;
yo tengo un Antonio López, dice Jaume.
¿Quién de los dos sabrá decir
cuántos muertos tiene a sus espaldas?

NACHO VEGAS. Disponível em: www.lahiguera.net. Acesso em: 12 abr. 2024 (fragmento).

Na letra da canção Polvorado, ao apresentar as reflexões do eu poético, o cantor espanhol Nacho Vegas

A) demonstra o orgulho dos trabalhadores para com artistas de referência.

B) critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores.

C) apresenta propostas para diminuir as desigualdades sociais.

D) evidencia o diálogo horizontal entre patrão e trabalhadores.

E) questiona a insalubridade do ambiente de trabalho.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto Poético/Musical
    • Identificação de Crítica Social na Arte
    • Relações de Trabalho e Desigualdade Social
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar a crítica central expressa pelo eu lírico na canção.
  • Nível da Questão: Médio.
    • Detalhe: A questão exige a capacidade de conectar duas estrofes que, superficialmente, parecem tratar de assuntos diferentes (direitos trabalhistas e arte). O leitor precisa inferir que a ostentação de obras de arte na segunda estrofe é o resultado direto da exploração econômica denunciada na primeira.
  • Gabarito: Letra B (critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores).
    • Explicação Resumida: Esta alternativa está correta pois a canção se inicia com uma cobrança direta do trabalhador ao “patrón” por seus direitos básicos (pão e dinheiro), configurando uma clara crítica à exploração laboral.

 PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: Em bom português, a questão nos pergunta: “Qual é a principal denúncia ou a mensagem central que o eu lírico está tentando passar com estes versos?”.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nisso como a cena de um crime econômico. De um lado, temos as vítimas (os trabalhadores) perguntando “Onde está nosso pagamento?”. Do outro lado, na sala ao lado, os suspeitos (os patrões) estão conversando sobre qual quadro de luxo acabaram de comprar para decorar a mansão. O verdadeiro desafio aqui é entender que o luxo dos suspeitos (a arte) não é um assunto separado, mas sim a prova do crime: foi comprado com o dinheiro que pertence às vítimas.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
    1. Analisar a Acusação Inicial: Vamos dissecar a primeira estrofe para entender a natureza da queixa.
    2. Decodificar o Símbolo de Riqueza: Iremos investigar o que a menção aos artistas Tàpies e Antonio López representa na segunda estrofe.
    3. Conectar as Duas Cenas: Juntaremos as duas estrofes para revelar a crítica completa.
    4. Construir o Retrato Falado: Definiremos o perfil exato da denúncia que a alternativa correta deve descrever.

 PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

A estrutura da canção é toda baseada em um contraste social gritante. A melhor ferramenta para visualizar essa oposição é uma Tabela Comparativa que coloca os dois mundos lado a lado.

🗣️ A Voz do Trabalhador (Eu Lírico)🎩 A Voz do Patrão (Juan Luis & Jaume)
Preocupação Principal: Necessidades básicas e essenciais.Preocupação Principal: Luxo, status e bens supérfluos.
Vocabulário: “Pão”, “dinheiro”.Vocabulário: “Um Tàpies”, “um Antonio López” (obras de arte caríssimas).
Tom: Acusatório, direto, de cobrança (“Onde está?”).Tom: Ostentação, indiferença, vaidade (“Eu tenho…”).
Realidade Implícita: Fome, exploração, falta.Realidade Implícita: Riqueza, acúmulo, e a acusação de ter “mortos nas costas”.

A tabela deixa claro que não há diálogo, mas sim um abismo social entre as duas partes.


 PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos executar nosso plano, seguindo as pistas do texto.

  • Execução Sequencial:
    1. A Acusação Inicial: A primeira estrofe é um confronto direto. O eu lírico, falando em nome de um coletivo (“nosso pão”), questiona o “patrón” sobre o desaparecimento de seus ganhos. A linguagem “outro sucio agujero” (outro buraco sujo) carrega um tom de desprezo e acusa o patrão de corrupção e apropriação indébita.
    2. O Símbolo de Riqueza: Na segunda estrofe, a cena muda para os patrões, Juan Luis e Jaume. Eles não falam de produção ou trabalho, mas de seus bens de luxo: quadros de Antoni Tàpies e Antonio López, dois dos mais valorizados artistas espanhóis. A arte aqui não é cultura, é um símbolo de status e riqueza extrema.
    3. A Conexão Fatal: O eu lírico então conecta os dois mundos com uma pergunta retórica devastadora: “Quién de los dos sabrá decir cuántos muertos tiene a sus espaldas?” (Quem deles saberá dizer quantos mortos tem às suas costas?”). Essa pergunta transforma os quadros na parede em evidências do crime. A mensagem é clara: essa riqueza e esse luxo foram construídos sobre a exploração, o sofrimento e, metaforicamente (ou talvez literalmente), a morte dos trabalhadores.
  • 🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
    CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é focar na segunda estrofe e pensar que a música é uma crítica ao mundo da arte ou aos artistas Tàpies e Antonio López (relacionando com a Alternativa A). O aluno pode pensar que o orgulho está nos artistas. Na verdade, os nomes dos artistas são usados como símbolos do luxo e da indiferença dos ricos, não como tema principal.
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: A letra constrói um contraste brutal entre a necessidade básica do trabalhador (pão) e o luxo supérfluo do patrão (arte), acusando este último de enriquecer às custas da exploração e do sofrimento do primeiro.
    • Expectativa: A alternativa correta deve, obrigatoriamente, apontar para uma críticadenúncia ou conflito de natureza social/trabalhista, focando na postura exploradora dos patrões em relação aos seus empregados.

 PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos comparar nossa “Expectativa” com os suspeitos.

  • A) demonstra o orgulho dos trabalhadores para com artistas de referência.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor vê nomes de artistas famosos e pensa que o texto os está elogiando.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Distorção do Símbolo. A canção usa os artistas como um símbolo da riqueza dos patrões, não como motivo de orgulho para os trabalhadores. A menção é irônica e crítica.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é um espelho da nossa “Bússola”. A “crítica à postura dos patrões” (que escondem o dinheiro e ostentam luxo) “frente aos direitos dos trabalhadores” (o pão e o dinheiro que lhes foram negados) é o cerne da canção.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • C) apresenta propostas para diminuir as desigualdades sociais.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor identifica a denúncia da desigualdade e assume que o texto deve oferecer uma solução.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação. A letra é uma canção de protesto e denúncia. Ela expõe o problema de forma crua, mas não apresenta um plano ou propostas para resolvê-lo.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) evidencia o diálogo horizontal entre patrão e trabalhadores.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor vê perguntas e respostas e interpreta como um diálogo entre iguais.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O “diálogo” é, na verdade, um confronto vertical. O trabalhador questiona e acusa, enquanto os patrões falam entre si, ignorando completamente a cobrança. Não há horizontalidade alguma.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • E) questiona a insalubridade do ambiente de trabalho.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor interpreta a expressão “sucio agujero” (buraco sujo) de forma literal, como se descrevesse o local de trabalho.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Interpretação Literal de Metáfora. “Sucio agujero” é uma metáfora para o lugar desonesto onde o patrão escondeu o dinheiro, não uma descrição das condições da fábrica ou do escritório.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

 PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZADEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Fica claro, portanto, que a alternativa B é a correta, pois a canção é um poderoso ato de protesto que critica a exploração dos trabalhadores e a indiferença dos patrões, que acumulam riquezas e bens de luxo à custa dos direitos mais básicos de seus empregados.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Para o patrão, um quadro na parede; para o operário, a falta do pão na mesa.
  • Para ir Além (A Ponte para o Futuro): Este mesmo conflito é o motor da História Social da Revolução Industrial. Enquanto donos de fábricas na Inglaterra do século XIX acumulavam fortunas sem precedentes (o “Tàpies” da época), a classe operária vivia em condições miseráveis (“sem pão”), trabalhando em jornadas exaustivas em ambientes insalubres (os “mortos nas costas”). A canção de Nacho Vegas é um eco moderno desse conflito histórico fundamental, mostrando como a arte pode dar voz a tensões sociais que atravessam séculos.
Disciplina:

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