QUESTÃO 01 (INGLÊS) caderno azul ENEM 2025 Dia 1

Disciplina:

Glory Ames, from the White Earth reservation, is frustrated that despite the presence of several indigenous reservations near Moorhead, local Halloween stores still feature a western section with costumes such as “pow wow princess”.

Even worse, despite a long-running debate about racism and cultural appropriation, often prompted by backlash against celebrities and politicians for donning offensive costumes, people continue to wear such costumes.

Last Halloween, Ames spotted a photo on Instagram of a girl dressed as a Native American with a bullet in her forehead. She immediately reported it to the social media platform and had it removed.

“They blatantly take certain aspects of our culture, race, religion, and use it for their advantage and ignore the people living it”, said Ames.

LIU, M. C. M. Disponível em: www.washingtonpost.com. Acesso em: 12 maio 2024 (adaptado).

Ao abordar um aspecto da celebração do Halloween, esse texto tem por objetivo

A) denunciar a violência contra crianças indígenas.

B) descrever costumes tradicionais em celebrações indígenas.

C) valorizar as vestimentas características dos povos originários.

D) criticar a exploração indevida de elementos da identidade indígena.

E) sugerir ações de combate ao preconceito contra os povos originários.

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Interpretação de Texto
    • Identificação do Objetivo Central de um Texto
    • Noções de Apropriação Cultural
  • Tema/Objetivo Geral: Identificar a intenção principal do autor ao construir a narrativa.
  • Nível da Questão: Fácil/Médio.
    • Detalhe: A questão não se resolve apenas localizando uma informação explícita. Ela exige que o leitor sintetize diferentes partes do texto (a frustração inicial de Glory Ames, a menção ao debate sobre apropriação cultural e a denúncia final em sua fala) para compreender a crítica central que está sendo construída.
  • Gabarito: Letra D (criticar a exploração indevida de elementos da identidade indígena).
    • Explicação Resumida: Esta alternativa está correta porque captura a essência do texto: uma denúncia sobre como elementos sagrados e identitários da cultura indígena são banalizados e transformados em mercadoria (fantasias), ignorando o povo que os originou.

 PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

  • Decodificação do Objetivo: Em bom português, a questão nos pede para descobrir: “Qual é a principal mensagem ou a intenção final do autor ao nos contar a história de Glory Ames e as fantasias de Halloween?”.
  • Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nisso como investigar um roubo. Mas o que foi roubado não foi um objeto, e sim um significado. Imagine que alguém pega o brasão da sua família, um símbolo de sua história e orgulho, e o estampa em um produto barato para vender, sem entender ou respeitar sua origem. O verdadeiro desafio aqui é perceber que o texto está denunciando exatamente esse tipo de violação, mas em uma escala cultural.
  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
    1. Identificar o Problema Central: Vamos localizar a frustração inicial que motiva todo o texto.
    2. Analisar as Pistas-Chave: Iremos destacar os termos técnicos que o texto nos dá, como “racism and cultural appropriation”.
    3. Ouvir a Testemunha Principal: Analisaremos a fala final de Glory Ames, que funciona como a conclusão da denúncia.
    4. Montar o Retrato Falado: Com base nessas provas, construiremos o perfil exato do que a alternativa correta deve afirmar.

 PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para decifrar este caso, precisamos distinguir claramente o “crime” da “homenagem”. A ferramenta ideal para isso é uma Tabela Comparativa, que nos ajudará a diferenciar Apropriação Cultural de Apreciação Cultural.

Apropriação Cultural (O “Crime”) Apreciação Cultural (A Homenagem)
Superficial: Pega um elemento visual (ex: cocar) sem entender seu significado sagrado ou contexto.Profunda: Busca entender a história, o significado e a importância do elemento cultural.
Estereotipada: Reduz uma cultura inteira a uma caricatura ou fantasia (ex: “princesa pow wow”).Autêntica: Envolve-se com a cultura de forma respeitosa, aprendendo com seus membros.
Exploratória: Uma cultura dominante lucra ou se beneficia de uma cultura minoritária, sem dar crédito ou retorno.Colaborativa: A interação beneficia a cultura de origem, seja por reconhecimento, apoio ou permissão.
Resultado: Desrespeito, banalização e perpetuação de preconceitos.Resultado: Respeito mútuo, aprendizado e fortalecimento de laços culturais.

O texto descreve um caso claro da primeira coluna: a Apropriação Cultural.


 PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos agora executar nosso plano e aplicar nossas ferramentas ao texto.

  • Execução Sequencial:
    1. O Problema Central: O texto começa com a frustração de Glory Ames ao ver fantasias como “pow wow princess” em lojas. Este não é um elogio à cultura indígena; é a transformação de um título e de vestimentas em um produto comercial trivial.
    2. As Pistas-Chave: O autor nos dá o nome técnico do problema: “racism and cultural appropriation”. Isso nos diz que não se trata de uma simples ofensa, mas de um problema social e histórico mais amplo. O exemplo da foto da menina com um tiro na testa agrava a denúncia, mostrando que essa apropriação pode ser extremamente violenta e desumanizadora.
    3. A “Confissão” da Testemunha: A fala de Glory Ames no final é a peça-chave que encerra o caso. Vamos dissecá-la:
      • “They blatantly take certain aspects of our culture, race, religion…” (Eles pegam descaradamente aspectos da nossa cultura, raça, religião…) -> O ato de pegar sem permissão.
      • “…and use it for their advantage…” (…e usam para benefício próprio…) -> O objetivo de exploração/lucro.
      • “…and ignore the people living it.” (…e ignoram as pessoas que vivem isso.) -> A anulação e o desrespeito ao povo de origem.
  • 🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
    CUIDADO! O erro mais comum aqui é focar em uma parte específica do texto e tomá-la pelo todo. Ao ler sobre a foto da “menina com um tiro na testa”, a mente pode pular imediatamente para a ideia de “violência contra crianças” (Alternativa A). No entanto, essa foto é um exemplo extremo do problema maior, que é a apropriação. A armadilha é confundir a prova mais chocante com o crime principal.
  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O texto usa a experiência de uma mulher indígena para criticar a prática de transformar elementos culturais em fantasias de Halloween, definindo isso como um ato de apropriação que explora e desrespeita a identidade de um povo.
    • Expectativa: A alternativa correta deve necessariamente falar sobre uma crítica ou denúncia relacionada ao uso indevido/exploração de elementos culturais/identitários dos povos indígenas.

 PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Agora, vamos confrontar nosso “retrato falado” com os suspeitos (as alternativas).

  • A) denunciar a violência contra crianças indígenas.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor foca na imagem chocante da menina com o tiro na testa e conclui que o objetivo principal do texto é denunciar a violência infantil.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo (Descreve a parte, não o todo). A violência é um exemplo dentro da crítica maior, não a crítica em si.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • B) descrever costumes tradicionais em celebrações indígenas.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor vê palavras como “indígena”, “pow wow” e “costumes” e assume que o texto é um documentário sobre tradições.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. O texto não descreve celebração indígena alguma; pelo contrário, critica uma celebração não-indígena (Halloween) por se apropriar de seus símbolos.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • C) valorizar as vestimentas características dos povos originários.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor pensa que, ao falar das roupas, o texto tem a intenção de elogiá-las.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta. O texto não valoriza as vestimentas no contexto do Halloween; ele critica a forma como são desvalorizadas ao serem transformadas em fantasias.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • D) criticar a exploração indevida de elementos da identidade indígena.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa se encaixa perfeitamente na nossa “Expectativa”. Ela menciona a “crítica” (a intenção), a “exploração indevida” (o problema central) e os “elementos da identidade indígena” (o objeto da exploração). É um resumo perfeito da nossa investigação.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • E) sugerir ações de combate ao preconceito contra os povos originários.
    • A “Narrativa do Erro”: O leitor identifica o problema (preconceito) e presume que o texto deve, por consequência, oferecer soluções.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação. O texto se concentra em denunciar e criticar um problema. Ele expõe a ferida, mas não prescreve o remédio. Não há sugestões de “ações de combate” no texto.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

 PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

  • Frase de Fechamento: Portanto, a alternativa D é a correta, pois o texto constrói uma crítica clara e direta à apropriação cultural, mostrando como a transformação de símbolos indígenas em fantasias é um ato de exploração que apaga o significado e desrespeita a identidade de um povo.
  • Resumo-flash (A Imagem Mental): Cultura não é fantasia; é identidade com história.
  • Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio se aplica ao mundo da Propriedade Intelectual e Marcas. Imagine uma startup usando um logo quase idêntico ao da Coca-Cola para vender sua própria bebida. A Coca-Cola processaria por violação de marca registrada, pois seu símbolo está sendo usado para o “benefício de outro”, confundindo o público e diluindo o valor da marca original. A apropriação cultural é uma violação semelhante, mas em vez de proteger o lucro de uma empresa, a crítica busca proteger a identidade, a história e a dignidade de um povo.
Disciplina:

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