Nessa campanha publicitária, a imagem da família e o texto verbal unem-se para reforçar a ideia de que:
A) a família que adota é mais feliz.
B) a adoção tardia é muito positiva.
C) as famílias preferem adotar bebês.
D) a adoção de adolescentes é mais simples.
E) os filhos adotivos são companheiros dos pais.
Resolução Em Texto
- Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
- Interpretação de Linguagem Verbal e Não Verbal (Campanha Publicitária)
- Análise de Discurso (Estratégias de Persuasão)
- Sociologia (Família, Adoção, Preconceito Etário)
- Tema/Objetivo Geral: Analisar os elementos verbais e não verbais de uma campanha publicitária para identificar sua tese central, que é a desmistificação e a promoção da adoção tardia.
- Nível da Questão: Fácil.
- A questão se resolve pela leitura direta dos elementos principais da campanha. A frase “Pra encontrar a sua verdadeira família, não existe idade” e a imagem de adolescentes adotados (8, 13, 15 anos) apontam de forma inequívoca para o tema da adoção tardia.
- Gabarito: B
- A alternativa está correta porque tanto a frase principal (“não existe idade”) quanto a evidência visual (as idades dos filhos: 8, 13 e 15 anos) são direcionadas a combater o preconceito contra a adoção de crianças mais velhas e adolescentes, mostrando que a “adoção tardia é muito positiva”.
PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)
Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Esta campanha publicitária sobre adoção, usando uma foto e frases, quer nos convencer de uma ideia principal. Qual é essa ideia?”
Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine uma campanha para adoção de cachorros. A maioria das pessoas quer adotar filhotes. A campanha, então, em vez de mostrar filhotinhos, mostra uma foto de uma família feliz abraçada a um cachorro vira-lata, já adulto e idoso. A legenda diz: “Para encontrar seu melhor amigo, não existe idade”. Qual é a mensagem principal? A campanha está claramente tentando quebrar o preconceito e incentivar a adoção de cães mais velhos, mostrando que ela também pode ser uma experiência maravilhosa. A campanha da imagem faz exatamente a mesma coisa, mas com crianças.
Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
- Analisar a Mensagem Verbal: Qual é a tese principal apresentada no slogan da campanha?
- Analisar a Evidência Visual: Como a fotografia da família e as informações sobre cada pessoa comprovam e reforçam essa tese?
- Identificar o Preconceito Combatido: Qual é o “inimigo oculto”, o preconceito que a campanha está tentando combater?
- Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas melhor descreve a mensagem principal da campanha.
PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)
Para este caso, a melhor ferramenta é uma Tabela de Análise da Estratégia de Desconstrução. Ela vai nos mostrar como a campanha ataca um preconceito comum.
| Elemento da Análise | O Preconceito Comum (O que a sociedade geralmente pensa?) | A Estratégia da Campanha (Como o anúncio combate essa ideia?) |
| A Idade Ideal para Adoção | “Crianças só devem ser adotadas quando são bebês.” | O TEXTO: Diz explicitamente: “Pra encontrar a sua verdadeira família, não existe idade.” |
| O Perfil da Criança “Adotável” | “Adolescentes são difíceis, problemáticos e não criam laços afetivos.” | A IMAGEM: Mostra três filhos adotados com 8, 13 e 15 anos. |
| O Resultado da Adoção Tardia | “Uma família formada com filhos mais velhos não será tão feliz ou unida.” | A IMAGEM: Mostra uma família sorridente, abraçada, em uma clara representação de felicidade e afeto. |
Conclusão Forense: A tabela mostra que a campanha é uma operação cirúrgica para desmontar um preconceito específico. Cada elemento verbal e visual foi escolhido para combater a ideia de que a adoção de crianças mais velhas e adolescentes é inviável ou negativa. A mensagem central é que a adoção tardia é, sim, muito positiva.
PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)
Nossa tabela já revelou a estratégia. A campanha não fala de adoção de forma genérica. Ela foca em um problema específico: a dificuldade que crianças mais velhas e adolescentes enfrentam para serem adotados.
- A escolha de mostrar filhos de 8, 13 e 15 anos não é acidental. É uma escolha deliberada para representar a “adoção tardia”.
- A frase “não existe idade” é a tese que amarra tudo.
- A imagem da família feliz é a “prova” de que a tese funciona na prática.
A campanha inteira é construída para dizer ao público: “Veja, é possível e maravilhoso adotar quem não é mais um bebê”.
🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora é a alternativa (A), “a família que adota é mais feliz”. O erro é pegar o efeito (a imagem de felicidade) e transformá-lo na causa principal. A felicidade na imagem não é o ponto central, mas sim uma ferramenta para provar o ponto central. A campanha usa a imagem da família feliz para provar que a adoção tardia dá certo, e não para fazer uma afirmação genérica de que “adotar = felicidade”.
A Bússola (O Perfil do Culpado):
- Síntese do raciocínio: A investigação mostra que a campanha foca explicitamente na questão da idade, tanto no texto quanto nos exemplos visuais, para combater o preconceito contra a adoção de crianças mais velhas.
- Expectativa: A alternativa correta deve apontar para a valorização da adoção tardia.
PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)
Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.
- A) a família que adota é mais feliz.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato cai na “Armadilha Clássica”, focando na imagem da felicidade.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir Meio com Fim. A felicidade é a “prova” usada no anúncio, mas a “tese” que se quer provar é sobre a viabilidade da adoção tardia.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- B) a adoção tardia é muito positiva.
- Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Ela resume perfeitamente a mensagem central construída pela combinação do slogan (“não existe idade”) e dos exemplos visuais (filhos de 8, 13 e 15 anos).
- Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
- C) as famílias preferem adotar bebês.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato foca no preconceito que a campanha está combatendo, e não na mensagem que ela está promovendo.
- O “Diagnóstico do Erro”: Confundir o Problema com a Solução. O fato de as famílias preferirem bebês é o problema que a campanha existe para resolver. A mensagem da campanha é o exato oposto disso.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- D) a adoção de adolescentes é mais simples.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato extrapola a mensagem de “positiva” para “simples”.
- O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação Indevida. A campanha nunca afirma que o processo é “mais simples”. Ela argumenta que é “positivo” e “possível”. “Simples” é uma inferência que o texto não autoriza.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
- E) os filhos adotivos são companheiros dos pais.
- A “Narrativa do Erro”: O candidato foca em um aspecto geral da imagem (a união familiar).
- O “Diagnóstico do Erro”: Generalização Excessiva. Embora a imagem mostre companheirismo, essa é uma característica de qualquer família unida, adotiva ou não. Não é a mensagem específica e distintiva desta campanha, que tem um foco claro na questão da idade.
- Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)
Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa B é a correta. Este caso ilustra como a publicidade social eficaz funciona: ela não apenas aponta um problema, mas apresenta uma visão positiva e desejável da solução, usando a emoção para desconstruir um preconceito.
Resumo-flash (A Imagem Mental): A campanha diz: o amor não tem data de validade, e a família também.
Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de desconstruir um preconceito mostrando exemplos positivos e contra-intuitivos é uma ferramenta poderosa no Jornalismo de Soluções. Em vez de focar apenas nos problemas da sociedade (o “jornalismo tradicional”), o Jornalismo de Soluções investiga e reporta sobre iniciativas que estão funcionando para resolver esses problemas. Em vez de apenas noticiar a crise no sistema prisional, ele faz uma reportagem aprofundada sobre um presídio específico que tem uma taxa de reincidência baixíssima. A lógica é a mesma da campanha de adoção: combater a sensação de que um problema não tem solução, mostrando uma evidência concreta e inspiradora de que uma alternativa positiva é possível.
