Questão 84, caderno azul ENEM 2020


A colisão entre uma placa continental e uma oceânica provocará a subducção desta última sob a placa continental, que, a exemplo dos arcos e ilhas, produzirá um arco magmático na borda do continente, composto por rochas vulcânicas acompanhado de deformações e metamorfismo tanto de rochas preexistentes como de parte das rochas formadas no processo.

TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000.

Qual feição fisiográfica é gerada pelo processo tectônico apresentado?

A) Planícies abissais.

B) Planaltos cristalinos.

C) Depressões absolutas.

D) Bacias sedimentares.

E) Dobramentos modernos.

Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Geologia / Geografia Física (Tectônica de Placas, Orogênese)
    • Interpretação de Texto Científico
  • Tema/Objetivo Geral: Analisar a descrição de um processo de convergência de placas tectônicas (subducção) para identificar a principal forma de relevo (feição fisiográfica) resultante.
  • Nível da Questão: Médio.
    • A questão é puramente conteudista. Ela exige o conhecimento prévio de que a colisão de placas tectônicas, especialmente com subducção, é o processo de formação de grandes cadeias de montanhas, conhecidas como dobramentos modernos.
  • Gabarito: E
    • A alternativa está correta porque o texto descreve um cenário de colisão de placas, com subducçãodeformação da crosta e formação de um arco magmático (vulcões). Este conjunto de fenômenos é o processo de orogênese, que dá origem a grandes cadeias montanhosas recentes, tecnicamente chamadas de dobramentos modernos.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “O texto descreve o que acontece quando uma placa tectônica oceânica afunda sob uma continental: a crosta se deforma, rochas se transformam e vulcões aparecem. Qual é o nome da forma de relevo, da ‘feição fisiográfica’, que é criada por todo esse processo?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine o capô de um carro (a placa continental) e um tapete fino no chão (a placa oceânica). Agora, empurre o tapete para debaixo do capô. O que acontece? Primeiro, o tapete afunda (subducção). Segundo, a borda do capô, ao ser pressionada, começa a enrugar e a se levantar, formando uma grande “dobra”. Se, além disso, o atrito gerar tanto calor que faíscas (vulcões) comecem a sair pela borda do capô, você terá a cena completa. A questão nos pede o nome dessa grande “dobra” enrugada.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):

  • Analisar a Cena do “Acidente”: Quais são as ações principais descritas no texto (colisão, subducção, deformação)?
  • Visualizar o Processo: Vamos usar uma imagem e um dossiê para entender o que acontece em uma zona de subducção.
  • Conectar o Processo ao Resultado: Qual é a principal consequência visível na paisagem (no relevo) desse “acidente” tectônico?
  • Realizar a Autópsia: Vamos analisar cada alternativa para ver qual delas corresponde a essa forma de relevo.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a melhor ferramenta é um Dossiê Forense sobre a Zona de Subducção, complementado por uma ilustração.

DOSSIÊ: A CENA DO CRIME TECTÔNICO (SUBDUCÇÃO)

  • A Ação: Uma placa colide com outra. A mais densa (geralmente a oceânica) mergulha sob a menos densa (continental).
  • As Consequências (As Pistas do Texto):
  • Deformação: A placa continental é comprimida, amassada e dobrada para cima.
  • Metamorfismo: A imensa pressão e o calor transformam as rochas.
  • Arco Magmático: A placa que mergulha derrete em profundidade. Parte desse magma sobe e forma uma cadeia de vulcões na placa superior.
  • O Resultado no Relevo:
  • A combinação de dobramento e vulcanismo cria uma longa e elevada cadeia de montanhas ao longo da costa. Como esse processo ocorre em tempos geologicamente recentes, essas cadeias são chamadas de DOBRAMENTOS MODERNOS.

Uma imagem poderosa pode transformar um conceito abstrato em uma memória inesquecível. A ilustração a seguir foi criada para visualizar a essência da nossa análise, tornando a ideia central clara e impactante:

(Zona de Subducção: A Fábrica de Montanhas)
A ilustração mostra um corte transversal da Terra, com uma placa oceânica (mais fina e densa) mergulhando sob uma placa continental (mais espessa). A imagem destaca o atrito entre as placas, o derretimento da placa que afunda (gerando magma) e, como consequência, a formação de uma cadeia de montanhas com vulcões na borda do continente. A imagem captura visualmente como o processo de subducção “amassa” e ergue a crosta, criando os dobramentos modernos.


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Nossas ferramentas já resolveram o caso. O texto descreve, com precisão técnica, a receita para se fazer uma cadeia de montanhas como a Cordilheira dos Andes.

  • A Colisão: A Placa de Nazca (oceânica) colide com a Placa Sul-Americana (continental).
  • A Subducção: A Placa de Nazca mergulha sob a Sul-Americana.
  • O Resultado: A borda da Placa Sul-Americana é dobrada e erguida, formando os Andes, com uma intensa atividade vulcânica (o arco magmático).

Os Andes são o exemplo clássico de um dobramento moderno.

⚠️ Pode cair no ENEM: O Brasil não tem dobramentos modernos porque está localizado no centro da Placa Sul-Americana, longe das zonas de colisão de placas. Nosso relevo é muito mais antigo e desgastado pela erosão, sendo formado por planaltos e bacias sedimentares.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: A investigação mostra que o texto descreve o processo de orogênese por subducção.
  • Expectativa: A alternativa correta deve ser o nome dado às grandes cadeias de montanhas formadas por esse processo.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora interrogar cada um dos suspeitos.

  • A) Planícies abissais.
    • A “Narrativa do Erro”: Uma associação aleatória com relevo submarino.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. Planícies abissais são as áreas planas e profundas do assoalho oceânico, geralmente em regiões tectonicamente calmas, longe das zonas de colisão.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) Planaltos cristalinos.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra grande estrutura de relevo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Idade e Origem Geológica. Planaltos cristalinos são estruturas antigas e erodidas. O processo descrito forma estruturas jovens e elevadas.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) Depressões absolutas.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode pensar na “fossa” que se forma na zona de subducção.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Foco Incorreto. Embora uma fossa oceânica (uma depressão) se forme, a principal feição fisiográfica gerada na borda do continente, como o texto descreve, é o soerguimento da crosta, a formação da cadeia de montanhas.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • D) Bacias sedimentares.
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pensa em outra grande estrutura de relevo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Contexto Geológico. Bacias sedimentares são áreas de deposição de sedimentos, geralmente em terrenos de baixa altitude ou rebaixados. O processo descrito é de soerguimento e deformação.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • E) Dobramentos modernos.
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. É o nome técnico exato para as grandes cadeias montanhosas (como Andes, Himalaia, Alpes) formadas por processos de colisão de placas em tempos geológicos recentes.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa E é a correta. Este caso é uma aula sobre a força monumental da tectônica de placas, o motor que esculpe as feições mais grandiosas do nosso planeta.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O choque de placas é o “acidente” cósmico que amassa a lataria da Terra, criando as montanhas.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de uma força de compressão gerando “dobras” e soerguimento é visível na Engenharia de Materiais e no design de estruturas de segurança. Quando um carro colide, a zona de deformação programada (“crumple zone”) na frente do veículo é projetada para se dobrar de forma controlada. Essa “formação de dobramentos” no metal absorve a energia cinética do impacto, diminuindo a desaceleração sentida pelos passageiros e salvando vidas. A mesma física que ergue a Cordilheira dos Andes ao longo de milhões de anos é usada para amassar o capô de um carro em milissegundos para proteger você.


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