Questão 135 caderno azul do ENEM 2024 PPL – Dia 2


O cágado-de-barbelas vive nas águas poluídas do Rio Preto, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Os animais dessa espécie, usados em estudos de ecotoxicologia, são atraídos para esses locais por causa do acúmulo de matéria orgânica nos pontos de despejo de esgoto, ambientes com grande quantidade de metais e baixíssimo teor de oxigênio.

Disponível em: www.unesp.br. Acesso em: 4 nov. 2014 (adaptado).

Nesse contexto, do ponto de vista ecológico, esses animais são considerados

A) bioindicadores.

B) biorremediadores.

C) organismos invasores.

D) anaeróbios facultativos.

E) decompositores adaptados

Resolução em texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Ecologia (Conceitos de Nicho Ecológico, Níveis Tróficos)
    • Bioindicadores e Biorremediação
    • Ecologia de Populações (Organismos Invasores)
  • Tema/Objetivo Geral:
    • Classificação do papel ecológico de uma espécie em um ambiente poluído.
  • Nível da Questão:
    • Médio. O texto é curto e direto, mas as alternativas apresentam termos técnicos da Ecologia que exigem conhecimento prévio e preciso. A confusão entre “bioindicador” e “biorremediador” é uma armadilha comum que eleva a dificuldade da questão.
  • Gabarito:
    • A) bioindicadores.
    • Esta alternativa está correta porque a presença e a saúde desses animais em águas poluídas servem como um sinal ou um “indicador” da qualidade (ou da falta de qualidade) do ambiente para estudos científicos.

1️⃣ PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: A questão nos dá a ficha de um “suspeito” (o cágado-de-barbelas) e descreve a “cena do crime” (o rio poluído onde ele vive). Nossa missão é dar o “cargo” ou a “função” ecológica correta para esse cágado nesse cenário específico.

Simplificação Radical (A Analogia Central): Pense nos antigos mineradores que levavam canários para as minas de carvão. Se o canário passasse mal ou morresse, era um sinal de que havia gases tóxicos no ar, e todos deveriam evacuar. O canário não limpava o ar, ele apenas sinalizava o perigo. O verdadeiro desafio aqui é entender se o cágado está agindo como o canário (apenas sinalizando o problema) ou como um “faxineiro” do rio.

  • Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação): Nosso plano será o seguinte:
  • Definir os principais “cargos” ecológicos listados nas alternativas.
  • Analisar as pistas que o texto nos dá sobre o comportamento e o uso do cágado.
  • Conectar as pistas ao “cargo” que melhor descreve a função do animal no contexto da poluição.

2️⃣ PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

FICHA TÉCNICA COMPARATIVA DE FUNÇÕES ECOLÓGICAS

1. Bioindicador

  • Cargo: O Sentinela / O Alerta
  • Missão Principal: Aponta a qualidade do ambiente (boa ou ruim) com sua simples presença, ausência ou estado de saúde.
  • Exemplo na Prática: Liquens em árvores indicam ar puro. A presença do nosso cágado indica água poluída.

2. Biorremediador

  • Cargo: O Faxineiro / O Purificador
  • Missão Principal: Remove ou neutraliza ativamente os poluentes do ambiente, “limpando” o local.
  • Exemplo na Prática: Bactérias que são usadas para “comer” o óleo derramado no mar.

3. Organismo Invasor

  • Cargo: O Estrangeiro
  • Missão Principal: Espécie que não é nativa daquele local e que, geralmente, causa desequilíbrio ecológico.
  • Exemplo na Prática: O caramujo-africano no Brasil, que compete com espécies nativas.

4. Anaeróbio Facultativo

  • Cargo: O Flexível
  • Missão Principal: Descreve a respiração de um organismo. Consegue viver com ou sem oxigênio. Geralmente se aplica a microrganismos.
  • Exemplo na Prática: Leveduras usadas na fabricação de pão e cerveja.

5. Decompositor

  • Cargo: O Reciclador
  • Missão Principal: Organismo (geralmente fungos e bactérias) que decompõe a matéria orgânica morta, reciclando nutrientes.
  • Exemplo na Prática: Cogumelos crescendo em um tronco de árvore caído.

3️⃣ PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Vamos agora executar nosso plano, caçando as pistas no texto.

  • Pista-Chave nº 1: “…vive nas águas poluídas do Rio Preto…”
    • Análise do Detetive: Isso nos diz que a espécie é tolerante a condições ambientais hostis (poluição, metais, baixo oxigênio). Ela consegue sobreviver onde muitas outras não conseguiriam.
  • Pista-Chave nº 2 (A Pista de Ouro): “…usados em estudos de ecotoxicologia…”
    • Análise do Detetive: Ecotoxicologia é o estudo dos efeitos de substâncias tóxicas nos ecossistemas. Se os cientistas usam esses animais para estudar os efeitos da poluição, é porque o estado de saúde desses cágados funciona como uma régua, um medidor, um indicador do nível de contaminação da água.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é a alternativa (B) biorremediadores. O raciocínio falho é: “Se o cágado é atraído pela matéria orgânica do esgoto, ele deve comê-la e, assim, limpar o rio.” O texto NUNCA afirma que o cágado limpa, remove ou neutraliza a poluição. Ele apenas diz que o animal vive ali e é estudado. Viver no lixo não faz de você um lixeiro. A função de “limpeza” (biorremediação) não pode ser presumida, ela teria que ser explicitamente declarada.

  • A Bússola (O Perfil do Culpado):
    • Síntese do raciocínio: O texto destaca que o cágado sobrevive em um ambiente poluído e é utilizado como objeto de estudo para medir os efeitos dessa poluição. Sua função, portanto, é a de servir como um sinalizador biológico.
    • Expectativa: A alternativa correta deve descrever um organismo cuja presença ou condição física serve como um medidor ou um alerta sobre a saúde de um ecossistema.

4️⃣ PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora analisar os suspeitos (as alternativas) à luz da nossa investigação.

  • Análise da Alternativa (A) bioindicadores:
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa se encaixa perfeitamente na nossa Expectativa. O fato de serem “usados em estudos de ecotoxicologia” é a definição literal de um organismo bioindicador. Eles indicam a toxicidade do ecossistema.
    • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.
  • Análise da Alternativa (B) biorremediadores:
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno associa a presença do cágado na matéria orgânica com uma ação de limpeza.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Extrapolação (Inferência sem Evidência). O texto não fornece nenhuma informação de que o cágado remove poluentes. Essa é uma conclusão que vai além das pistas fornecidas.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Análise da Alternativa (C) organismos invasores:
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno pode pensar que, por viver em um ambiente degradado, ele não deveria estar ali, sendo, portanto, um invasor.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Fuga ao Tema. A questão não discute a origem geográfica do cágado (se ele é nativo da região ou não). A discussão é sobre seu papel ecológico no contexto da poluição.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Análise da Alternativa (D) anaeróbios facultativos:
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno lê “baixíssimo teor de oxigênio” e conecta diretamente ao termo “anaeróbio”.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo. Esta alternativa descreve uma característica metabólica (como o organismo lida com o oxigênio), e não seu papel ecológico amplo no ecossistema, que é o foco da questão. Além disso, é um termo mais apropriado para microrganismos.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.
  • Análise da Alternativa (E) decompositores adaptados:
    • A “Narrativa do Erro”: O aluno lê “acúmulo de matéria orgânica” e pensa nos seres que a consomem, os decompositores.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro Conceitual. Decompositores são um nível trófico específico, composto principalmente por fungos e bactérias. Um cágado é um animal complexo, um consumidor, não um decompositor.
    • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

5️⃣ PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa (A) é a correta; o cágado-de-barbelas age como um sentinela, um bioindicador que alerta os cientistas sobre a “febre tóxica” do rio.

Resumo-flash (A Imagem Mental): O cágado é o termômetro vivo do rio: sua presença não cura a febre, mas nos diz o quão doente o ecossistema está.

🧠 Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio dos bioindicadores na Ecologia é usado na Economia. Certos dados, como a “venda de papelão”, funcionam como “indicadores econômicos”. Um aumento na venda de papelão (usado para embalagens) pode indicar que a indústria está produzindo e vendendo mais, sinalizando um aquecimento da economia meses antes dos dados oficiais do PIB serem divulgados. Assim como o cágado, a venda de papelão não causa a mudança, mas a sinaliza de forma antecipada.


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