Questão 124 caderno amarelo ENEM 2025 Dia 2

Disciplina:

A laje de um depósito de bebidas tem 50 m² de área útil de armazenamento e foi projetada para suportar pressões de até 10⁴ Pa. O gerente do estabelecimento pretende armazenar um produto cuja densidade é 1 250 kg/m³. Considere a aceleração da gravidade igual a 10 m/s².

A altura máxima, em metro, de empilhamento do produto que essa laje é capaz de suportar é

A) 0,16 m.

B) 0,50 m.

C) 0,80 m.

D) 1,60 m.

E) 8,00 m.

Resolução Em Texto

  • Matérias Necessárias para a Solução da Questão:
    • Física (Mecânica: Pressão, Força, Peso)
    • Física (Hidrostática: Densidade)
    • Geometria (Cálculo de Volume)
  • Tema/Objetivo Geral: Calcular a altura máxima de uma coluna de material com base na pressão máxima suportada pela superfície de apoio e na densidade do material.
  • Nível da Questão: Médio.
    • A questão exige a aplicação sequencial de múltiplas fórmulas da física (Pressão = Força/Área, Força = massa × gravidade, Densidade = massa/volume). O candidato precisa navegar por essa cadeia de cálculos sem se perder. Uma armadilha é a informação da “área útil de 50 m²”, que pode levar a um caminho de cálculo mais longo e complexo do que o necessário.
  • Gabarito: C
    • A alternativa está correta. A pressão exercida por uma coluna de fluido é dada por P = d × g × h. Isolando a altura (h), temos h = P / (d × g). Substituindo os valores P = 10⁴ Pa, d = 1250 kg/m ³ e g = 10 m/s², encontramos h = 10000 / (1250 × 10) = 0,80 m.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo: Em bom português, a missão é: “Uma laje aguenta uma certa pressão máxima. Vamos empilhar um líquido pesado em cima dela. Qual é a altura máxima que a pilha desse líquido pode ter antes que a laje quebre?”

Simplificação Radical (A Analogia Central): Imagine que a laje é uma pessoa e a “pressão máxima” é o peso máximo que ela consegue aguentar nos ombros. O “produto” são livros muito pesados. A pergunta é: quantos livros (altura da pilha) podemos colocar na cabeça dessa pessoa antes que ela desabe, sabendo o peso de cada livro (densidade)? Nossa tarefa é calcular essa altura máxima.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
Existem duas rotas para resolver este crime, uma longa e uma curta. Como detetives eficientes, vamos explorar a rota curta e elegante.

  • Identificar a Ferramenta Certa: Vamos perceber que a pressão exercida por uma coluna de qualquer substância (sólida ou fluida) pode ser calculada diretamente com uma fórmula da hidrostática.
  • Mapear as Evidências: Vamos listar todos os dados fornecidos pelo problema.
  • Aplicar a Fórmula Direta: Vamos substituir os valores na fórmula e calcular a altura (h) diretamente.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para este caso, a ferramenta mais poderosa é a Equação da Pressão de uma Coluna. Ela nos permite “pular” etapas intermediárias como o cálculo da força e do volume total.

DOSSIÊ: A EQUAÇÃO DA PRESSÃO DE UMA COLUNA

  • A Lei: A pressão (P) exercida pela base de uma coluna de uma substância é igual ao produto de sua densidade (d), da aceleração da gravidade (g) e da altura da coluna (h).
  • A Fórmula: P = d × g × h
  • Por que funciona?
    • Pressão é Força / Área (P = F/A).
    • A Força é o Peso da coluna (F = m × g).
    • A massa da coluna é Densidade × Volume (m = d × V).
    • O Volume da coluna é Área da Base × Altura (V = A × h).
    • Juntando tudo: P = (d × A × h × g) / A.
    • Cortando a Área (A) de cima e de baixo, chegamos à fórmula simplificada: P = d × g × h.

Conclusão Forense: Esta fórmula é nossa arma secreta. Ela nos mostra que, para uma dada substância, a pressão depende apenas da altura da pilha, e não da área total da base. A informação de “50 m²” é uma distração!


PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Agora, vamos aplicar nossa fórmula secreta ao caso.

1. Mapeando as Evidências:

  • Pressão máxima (P) = 10⁴ Pa = 10.000 Pa (ou 10.000 N/m²)
  • Densidade do produto (d) = 1.250 kg/m ³
  • Aceleração da gravidade (g) = 10 m/s²
  • Altura máxima (h) = ?

2. Aplicando a Fórmula e Resolvendo o Caso:

  • A fórmula é: P = d × g × h
  • Queremos encontrar a altura h, então vamos isolá-la:
    h = P / (d × g)
  • Agora, substituímos os valores:
    h = 10.000 / (1.250 × 10)
    h = 10.000 / 12.500
  • Simplificando a fração (podemos cortar dois zeros):
    h = 100 / 125
  • Dividindo ambos por 25 para simplificar ainda mais:
    h = 4 / 5
  • h = 0,8 ou 0,80 m

Conclusão da Investigação: A altura máxima de empilhamento que a laje pode suportar é de 0,80 metros.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A principal armadilha é a informação da “área útil de 50 m²”. Um candidato pode se sentir obrigado a usar esse número e entrar em um caminho de cálculo muito mais longo:

  • Calcular a Força máxima: F = P × A = 10.000 × 50 = 500.000 N.
  • Calcular a Massa máxima: m = F / g = 500.000 / 10 = 50.000 kg.
  • Calcular o Volume máximo: V = m / d = 50.000 / 1.250 = 40 m³.
  • Calcular a Altura máxima: h = V / A = 40 / 50 = 0,8 m.
    O resultado é o mesmo, mas o caminho é mais longo e com mais chances de erro. A elegância da física está em encontrar o caminho mais curto.

A Bússola (O Perfil do Culpado):

  • Síntese do raciocínio: Usando a fórmula da pressão de uma coluna, P = dgh, e isolando a altura h, chegamos diretamente ao resultado de 0,80 m, mostrando que a área da laje era uma informação irrelevante para o cálculo final da altura.
  • Expectativa: A alternativa correta deve ser 0,80 m.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora realizar a autópsia de cada um dos valores suspeitos.

  • A) 0,16 m
    • A “Narrativa do Erro”: O candidato pode ter cometido um erro de cálculo, possivelmente na divisão final, ou invertido alguma operação. Por exemplo, 1/ ( (1250*10) / 10000 ) = 1/1.25 = 0.8 não… talvez uma divisão por 5 em algum ponto (4/5)/5.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Cálculo. Não há um caminho lógico claro que leve a este resultado com os dados fornecidos. A resposta correta é 10000 / 12500 = 0,8. Este valor é 1/5 do correto, sugerindo uma multiplicação ou divisão por 5 em algum momento indevido.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • B) 0,50 m
    • A “Narrativa do Erro”: Outro erro de cálculo. O candidato pode ter arredondado valores de forma grosseira durante o processo.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Cálculo. Este valor não corresponde a uma aplicação correta das fórmulas. Pode ser resultado de uma confusão na hora de simplificar a fração 100 / 125, talvez pensando que se aproxima de 1/2.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • C) 0,80 m
    • Análise de Correspondência: Esta alternativa é o retrato falado da nossa Bússola. Corresponde perfeitamente ao resultado h = P / (d × g) = 10.000 / 12.500 = 0,8. É a resposta exata da nossa investigação.
    • Conclusão: 🟢 Alternativa correta.
  • D) 1,60 m
    • A “Narrativa do Erro”: Um erro de cálculo, provavelmente multiplicando o resultado correto por 2.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Cálculo. O valor é exatamente o dobro do correto (0,80 m × 2 = 1,60 m). Isso pode ter acontecido por um erro ao manipular a fórmula, talvez dividindo por 10 e multiplicando por 2 em vez de dividir por 10 e dividir por 1,25.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.
  • E) 8,00 m
    • A “Narrativa do Erro”: Um erro de ordem de grandeza, provavelmente na manipulação dos zeros ou da vírgula decimal.
    • O “Diagnóstico do Erro”: Erro de Cálculo (Ordem de Grandeza). O valor é exatamente dez vezes maior que o correto. Isso ocorre se o candidato, por engano, calcular h = (P × g) / d = (10.000 × 10) / 1.250 = 100.000 / 1.250 = 80 (e depois errar a vírgula), ou calcular 10.000 / 1.250 = 8. É um erro comum na manipulação da fórmula ou na divisão final.
    • Conclusão: 🔴 Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento: Confirmamos que a alternativa C é a correta. Este caso nos ensina uma lição contra-intuitiva e poderosa da física: a pressão no fundo de um recipiente depende apenas da altura do fluido, e não da sua largura ou do seu volume total.

Resumo-flash (A Imagem Mental): Para a pressão no fundo, não importa se é uma piscina olímpica ou um canudo de refrigerante; o que importa é a altura da água.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro): O mesmo princípio de que a pressão depende da altura (P = dgh) é a base do funcionamento de um barômetro de mercúrio, usado para medir a pressão atmosférica. A pressão do ar sobre a superfície do mercúrio em um recipiente equilibra o peso da coluna de mercúrio dentro de um tubo de vidro. Ao medir a altura dessa coluna (tradicionalmente em milímetros de mercúrio, mmHg), podemos determinar a pressão atmosférica. É o mesmo princípio da nossa questão, mas invertido: em vez de usar uma pressão conhecida para achar a altura, usamos uma altura conhecida para achar a pressão.

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