Questão 142 caderno amarelo ENEM 2025 Dia 2


Pesquisas na área de neurobiologia confirmam que a prática meditativa é responsável por diminuir consideravelmente a frequência respiratória para praticantes avançados, que, após iniciarem a meditação, têm suas frequências respiratórias reduzidas até se estabilizarem em um nível mais baixo. O gráfico apresenta a relação da frequência respiratória, em incursões de respirações por minuto (rpm), em relação ao tempo, em minuto, de um praticante avançado, em que (f1) representa a frequência no instante t1, no qual se inicia a prática meditativa; e (f2), a frequência no instante t2, a partir do qual esta se estabiliza durante a meditação.

Disponível em: www.redepsi.com.br. Acesso em: 3 dez. 2018 (adaptado).

A partir do instante t1, em que se inicia a prática meditativa, o comportamento da frequência respiratória, em relação ao tempo,

A) mantém-se constante.

B) é diretamente proporcional ao tempo.

C) é inversamente proporcional ao tempo.

D) diminui até o instante t2, a partir do qual se torna constante.

E) diminui de forma proporcional ao tempo, tanto entre t1 e t2 quanto após t2.

Resolução Em Texto

Matérias Necessárias para a Solução da Questão

  • Interpretação de Gráficos
  • Análise de Funções (Comportamento de Curvas)
  • Raciocínio Lógico

Tema/Objetivo Geral: Análise do comportamento de uma variável (frequência respiratória) em função de outra (tempo) a partir de sua representação gráfica.

Nível da Questão

  • Fácil. – A questão é classificada como fácil porque não exige nenhum cálculo ou conhecimento prévio complexo. A tarefa é uma tradução literal do que é visualmente apresentado no gráfico. O texto do enunciado e a curva do gráfico estão em perfeita harmonia, e a alternativa correta descreve essa harmonia de forma direta, sem ambiguidades.

Gabarito

  • D) diminui até o instante t₂, a partir do qual se torna constante. – Esta é a resposta correta, pois descreve com precisão as duas fases do comportamento da frequência respiratória após o início da meditação: uma queda seguida de uma estabilização.

PASSO 1 – O QUE A QUESTÃO QUER? (O MAPA DA MINA)

Decodificação do Objetivo:
Sem “academiquês”, a missão é bem direta: “Olhe para o gráfico a partir do ponto t₁, que é quando a meditação começa, e me diga em bom português: o que acontece com a linha que representa a respiração da pessoa?”.

Simplificação Radical (A Analogia Central):
O verdadeiro desafio aqui é traduzir uma imagem em palavras. Pense no gráfico como a história de uma descida de carro por uma serra até chegar a uma planície. No instante t₁, você está no topo (frequência alta). Entre t₁ e t₂, você está descendo a serra (a frequência está diminuindo). A partir de t₂, a estrada fica completamente plana (a frequência para de descer e fica constante). A questão só quer que a gente descreva essa viagem.

Plano de Ataque (O Roteiro da Investigação):
Nossa investigação será uma leitura visual guiada do gráfico. O plano é brutalmente simples:

  • Primeiro, vamos focar no ponto de partida: o instante t₁.
  • Segundo, vamos analisar o “caminho” da linha entre t₁ e t₂. Ela sobe, desce ou fica reta?
  • Terceiro, vamos analisar o que acontece com a linha depois de t₂ até o final.
  • Finalmente, vamos juntar essas duas partes da história para formar uma descrição completa e irrefutável.

PASSO 2 – DESVENDANDO AS FERRAMENTAS (A CAIXA DE FERRAMENTAS)

Para desvendar um gráfico, a melhor ferramenta é um dossiê, uma ficha técnica que disseca cada elemento da “cena do crime”. Vamos montar o dossiê deste caso.

Dossiê do Gráfico: O Caso da Respiração Meditativa

  • Evidência Principal: Um gráfico cartesiano.
  • Vítima da Análise (Eixo Y – Vertical): A “Frequência respiratória (rpm)”.
    • Tradução: Basicamente, mede o quão rápido ou devagar a pessoa está respirando. Se a linha sobe, a respiração acelera. Se a linha desce, a respiração desacelera.
  • Cena do Crime (Eixo X – Horizontal): O “Tempo (min)”.
    • Tradução: Representa a passagem dos minutos. Da esquerda para a direita, o tempo está avançando.
  • Personagens Principais (Pontos de Interesse):
    • Instante t₁: Marcado como “Início da prática meditativa”. É o nosso ponto de partida. Neste momento, a frequência respiratória está no nível f₁, que é o ponto mais alto do gráfico a partir dali.
    • Instante t₂: Um ponto de virada crucial na história. É o momento em que o comportamento da respiração muda drasticamente. Neste ponto, a frequência atinge o nível f₂, um patamar mais baixo.
  • O Enredo (A Curva): A linha do gráfico conta a história em dois atos claros.
    • Ato I – O Intervalo entre t₁ e t₂:
      • Observação: A linha está claramente descendo. Ela sai do nível mais alto (f₁) e vai em direção ao nível mais baixo (f₂).
      • Conclusão Lógica: Se a linha desce, significa que a frequência respiratória está diminuindo durante este período.
    • Ato II – Após o instante t₂:
      • Observação: A linha se torna perfeitamente horizontal. Ela não sobe nem desce mais, seguindo reta no nível f₂.
      • Conclusão Lógica: Uma linha horizontal significa que o valor no eixo Y não está mudando. Portanto, a frequência respiratória se torna constante (ou estabiliza).

PASSO 3 – INTERPRETAÇÃO GUIADA (MÃO NA MASSA)

Show de bola. Agora é a hora da verdade. Com o dossiê em mãos e nosso plano de ataque definido, vamos executar a análise e extrair a confissão do gráfico. Vamos mergulhar na cena do crime, instante por instante.

Ato I: A Transição para a Calma (Intervalo de t₁ até t₂)

Vamos focar no primeiro trecho da viagem. No instante t₁, a pessoa inicia a meditação. Sua respiração está no patamar f₁. O que acontece logo em seguida? A linha começa a descer. Não é uma queda brusca, é uma curva suave para baixo.

  • O que isso significa na prática? Significa que a frequência respiratória está diminuindo. A pessoa está, conscientemente ou não, respirando de forma mais lenta e profunda. É o efeito fisiológico da meditação entrando em ação.
  • E a forma da curva? Note que não é uma linha reta. A curva nos diz que a taxa de diminuição não é constante. A respiração não fica mais lenta sempre na mesma velocidade; ela passa por uma transição gradual até encontrar um novo ritmo. É exatamente como frear um carro suavemente até uma nova velocidade.

Portanto, a primeira parte da nossa história é inegável: entre t₁ e t₂, a frequência diminui.

Ato II: O Platô da Estabilização (A partir de t₂)

Agora, o que acontece quando o relógio atinge o instante t₂? O gráfico muda de comportamento de forma radical. A curva descendente acaba e dá lugar a uma linha perfeitamente horizontal.

  • O que uma linha horizontal representa? Em qualquer gráfico, uma linha horizontal significa que o valor do eixo Y (no nosso caso, a frequência respiratória) parou de mudar. Ele travou em um valor fixo.
  • Qual é a tradução disso? A respiração da pessoa atingiu o nível f₂ e se estabilizou. Ela não fica mais lenta, nem volta a acelerar. Ela se mantém constante, num estado de equilíbrio. O corpo encontrou o “ponto de cruzeiro” da meditação.

Logo, a segunda parte da nossa história é igualmente clara: a partir de t₂, a frequência se torna constante.

🚨 ARMADILHA CLÁSSICA! 🚨
CUIDADO! A armadilha mais sedutora aqui é confundir uma descrição geral (“diminui”) com termos matemáticos específicos que aparecem em outras alternativas, como “proporcional” ou “inversamente proporcional”. Uma diminuição proporcional seria uma linha reta inclinada para baixo, não uma curva. O examinador coloca essas palavras para testar se você sabe a diferença entre uma descrição visual e um conceito matemático rigoroso. Não caia nessa!

A Bússola (O Veredito):

  • Síntese do raciocínio: A análise visual do gráfico revela um comportamento em duas fases a partir de t₁: primeiro, uma diminuição contínua da frequência até o instante t₂, e segundo, uma estabilização (constância) da frequência a partir de t₂ em diante.
  • Expectativa: A alternativa correta precisa ser uma “frase-resumo” perfeita dessa história de duas partes: uma queda seguida por uma estabilização.

PASSO 4 – ALTERNATIVAS COMENTADAS (A AUTÓPSIA)

Vamos agora confrontar cada suspeito com as nossas conclusões.

A) mantém-se constante.

  • A “Narrativa do Erro”: O candidato olhou apenas para o trecho depois de t₂ e ignorou todo o resto da história.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Reducionismo (Descrever a parte, não o todo).
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

B) é diretamente proporcional ao tempo.

  • A “Narrativa do Erro”: “Diretamente proporcional” significa que, se o tempo aumenta, a frequência também aumenta de forma linear (uma reta subindo). O gráfico mostra o exato oposto: a frequência diminui.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

C) é inversamente proporcional ao tempo.

  • A “Narrativa do Erro”: O candidato sabe que a frequência diminui com o tempo e associa isso ao termo “inversamente proporcional”. Embora o comportamento seja de diminuição, a curva não tem o formato matemático exato de uma proporção inversa (uma hipérbole).
  • O “Diagnóstico do Erro”: Imprecisão Técnica (usar um termo matemático específico para descrever uma tendência geral).
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

D) diminui até o instante t₂, a partir do qual se torna constante.

  • Análise de Correspondência: Bingo! É essa. A descrição é uma fotografia em palavras do que acontece no gráfico. Ela captura perfeitamente os dois atos da nossa história: a descida (diminui até t₂) e a planície (a partir do qual se torna constante).
  • Conclusão: ✔️ Alternativa correta.

E) diminui de forma proporcional ao tempo, tanto entre t₁ e t₂ quanto após t₂.

  • A “Narrativa do Erro”: Esta alternativa mistura erros. Primeiro, como vimos na armadilha, a diminuição não é “proporcional” (a linha é curva, não reta). Segundo, afirma que diminui também após t₂, quando na verdade fica constante.
  • O “Diagnóstico do Erro”: Contradição Direta e Imprecisão Técnica.
  • Conclusão: ❌ Alternativa incorreta.

PASSO 5 – O GRAND FINALE (APRENDIZAGEM EXPANDIDA)

Frase de Fechamento:
Confirmado, a alternativa D é a resposta. A grande lição é que um gráfico é uma história contada sem palavras, e nossa missão como detetives é aprender a ler cada capítulo dessa história visual, do começo ao fim.

Resumo-flash (A Imagem Mental):
Um gráfico é uma viagem: veja de onde sai, por onde passa e onde chega para entender a história completa.

Para ir Além (A Ponte para o Futuro):
Essa habilidade de ler gráficos em “fases” é essencial e vai muito além da biologia. Pense em Economia: o gráfico do ciclo de vida de um produto (lançamento, crescimento, maturidade, declínio) segue uma lógica parecida. Na Engenharia, o gráfico de carga de uma estrutura pode mostrar um comportamento elástico (a deformação aumenta) até um ponto de ruptura, onde o comportamento muda drasticamente. Saber identificar esses “pontos de virada” (como o nosso t₂) é o que diferencia uma análise superficial de uma análise estratégica em qualquer área do conhecimento.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sair da versão mobile